O Brasil sempre foi referência mundial quando o assunto é vacinação. O nosso gigantesco Sistema Único de Saúde (SUS) ajuda a levar doses para todos os cantos desse país continental. Nos últimos anos, porém, a população passou a se imunizar menos, principalmente as crianças.

O movimento anti-vacina é global e costuma ser encampado por simpatizantes da extrema-direita. Diante desse dado, o governo federal tenta retomar o ritmo e a eficácia do seu Programa Nacional de Imunizações (PNI). A novidade diz respeito à proteção contra o HPV (papilomavírus humano).

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A doença é a principal causadora de câncer de colo de útero. Estudos científicos estimam que 80% da população sexualmente ativa vai entrar (ou já entrou) em contato com o vírus. Vírus que pode se manifestar por meio de pequenas verrugas nas partes genitais ou, em casos mais graves, dar origem a um câncer.

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Existe uma vacina contra o HPV e, antes, era aplicada em duas doses aqui no país. A partir de agora, ela será aplicada em dose única.

O anúncio foi feito pela ministra da Saúde, Nísia Trindade, no X (antigo Twitter), na última segunda-feira (1).

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Quem pode tomar

  • A vacina contra o HPV é dada gratuitamente pelo SUS em meninas e meninos de 9 a 14 anos.
  • Também podem buscar a dose pessoas vivendo com HIV e vítimas de abuso sexual.
  • De acordo com a ministra, estados e municípios devem buscar ainda jovens com até 19 anos que não se imunizaram até agora.
  • Como já disse, atualmente, o esquema vacinal é de duas doses com intervalo de seis meses.
  • Com a mudança, a vacina será de dose única.
  • O imunizante disponível no SUS é produzido pelo Instituto Butantan e é chamado quadrivalente, contendo quatro formas do vírus.
  • Na rede particular, a vacina protege contra nove tipos do vírus.
Criança sendo vacinada
Crédito: Ira Lichi/Shutterstock

Mas uma dose só?

Aí você pode se questionar: como assim eram duas doses a vida inteira e agora passou para uma? Tirar uma dose não vai diminuir a proteção?

Sim, um pouco, mas estudos garantem que a dose única é eficaz. O Olhar Digital falou sobre o assunto no ano passado.

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Uma nova pesquisa indicou que apenas uma dose já é o suficiente para fornecer anos de prevenção contra o câncer. E contra o HPV.

Desde 2022, aliás, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda esse número de aplicações. A entidade afirma que isso aumenta a adesão à vacina.

Uma questão de estratégia

  • E é por esse motivo que o governo federal resolveu mudar a quantidade de doses aplicadas. Para tentar aumentar a adesão.
  • Nos últimos anos, o país enfrenta uma queda da cobertura da vacinação contra o HPV.
  • De acordo com especialistas, uma das dificuldades seria justamente o esquema vacinal em duas doses.
  • Em 2022, entre as meninas, a primeira e a segunda dose tiveram, respectivamente, 75,91% e 57,44% de adesão.
  • Entre os meninos, os números são ainda menores: 52,26% na primeira aplicação e 36,59% na segunda.
  • Os dados deste ano ainda não estão consolidados.
HPV
Imagem: Evan Lorne/iStock

Vale destacar que, apesar do anúncio da ministra da Saúde, a pasta ainda não divulgou detalhes da ação. O governo federal deve informar nos próximos dias qual será o cronograma da nova vacina e em quanto tempo ela estará disponível.