Muitas pessoas conseguem distinguir entre o som da água fria e quente sendo derramada em um copo. Mas você já parou para pensar porque conseguimos ouvir a temperatura do líquido?

Um estudo conduzido pela psicóloga Tanushree Agrawal, na Universidade da Califórnia, em San Diego, apontou que três a cada quatro dos participantes da pesquisa conseguiram detectar a diferença. Mas até então não existiam provas que explicassem exatamente o porquê disso.

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Foi pensando nisso que o divulgador científico e doutor em química pela Universidade Tsinghua em Pequim, Xiaotian Bi, junto de seus colegas, realizou uma pesquisa em busca de explicações. O estudo está disponível para pré-impressão no ArXiv e tem haver com bolhas.

Água quente (Crédito: iced.espresso/ Shutterstock)
Água quente (Crédito: iced.espresso/ Shutterstock)

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É tudo uma questão de bolhas

O artigo ainda não passou pela revisão do pares, e é necessário mais pesquisas. No entanto, cientistas que estudaram o tema, apontaram que Bi está no caminho certo. Geralmente é sugerido que ouvimos a temperatura da água devido a viscosidade do líquido, mas o químico chinês não se contentou com isso. 

As bolhas da água são as principais responsáveis pelo barulho, então na investigação o químico explorou como elas se formam e de que forma se quebram no liquido em diferentes temperaturas.

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  • Estudos anteriores já haviam mostrado que as bolhas maiores produzem sons de baixa frequência na água;
  • Na investigação, o químico descobriu que o som da água quente possui mais sons de baixa frequência do que a água fria;
  • Assim, foi levantada a hipótese de que as bolhas que se formam na água quente são maiores do que na fria.
Água fria (Crédito: Bignai/Shutterstock)
Água fria (Crédito: Bignai/Shutterstock)

Para descobrir se era realmente isso que acontece, o pesquisador despejou em um recipiente água a 10° C e 90° C enquanto filmava e fotografava em alta resolução. Como isso, descobriu-se que o líquido em alta temperatura produzem bolhas de 5 a 10 milímetros de diâmetros, enquanto em baixa, elas têm de 1 a 2 milímetros.

Além de descobrir porque distinguimos o som da água quente e fria, o pesquisador sugeriu que a diferença de temperatura também está associada à forma como sentimos bebidas e comidas no dia a dia. Por exemplo, o café quente é muito apreciado, enquanto o frio é rançoso, isso porque, as moléculas de sabor aromático saltam mais facilmente em altas temperaturas.