A tradição de sepultamentos em navios é bem documentada, como nos casos de Valsgärde, na Suécia, e de Sutton Hoo, no condado de Suffolk, Inglaterra.

Tais sítios arqueológicos mostram que os grandes guerreiros eram frequentemente enterrados com seus barcos, equipados com tudo que poderiam precisar no “além”, desde equipamentos de cozinha até armas e escudos ornamentados.

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Ainda assim, um dos maiores mistérios da arqueologia permanecia parcialmente sem resposta até recentemente: o grande túmulo conhecido como “Herlaugshaugen”. Segundo o folclore local, o rei Herlaug (monarca viking do século IX) teria feito com que ele e 11 companheiros fossem enterrados vivos, ao invés de se entregarem à derrota contra um governante rival.

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Porém, no local onde o rei teria sido enterrado, na ilha de Leka, na Noruega, pesquisadores descobriram uma embarcação que data de cerca de 700 d.C., antes mesmo da chamada Era Viking, que durou de 793 a 1066 d.C.

Ou seja, este achado não apenas desafia as teorias anteriores sobre as práticas funerárias na região, como derruba a teoria de que o sítio era o local de descanso final do rei Herlaug.

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Imagem ilustra de guerreiro viking em campo de batalha
Imagem ilustra de guerreiro viking em campo de batalha. Imagem: DanieleGay / Shutterstock

A equipe, liderada pelo arqueólogo Dr. Geir Grønnesby, da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, conduziu um levantamento no grande túmulo, que originalmente media 41 pés de altura e 230 pés de diâmetro.

Durante a escavação, eles encontraram fragmentos de madeira e rebites de ferro de uma embarcação. Segundo a datação por radiocarbono dos materiais e camadas de carvão na montanha sugerem que o enterro ocorreu em torno de 700 d.C., tornando-o o exemplo mais antigo conhecido de um enterro de navio na Escandinávia.

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Por que monarcas e guerreiros eram enterrados em navios?

Dr. Grønnesby sugere que os montes monumentais na Noruega antiga eram construídos para a elite do poder como símbolos de riqueza e prestígio, frequentemente localizados em locais visíveis para quem passasse por perto.

“Podemos dizer provavelmente que os montes foram construídos para mostrar grandeza, e que o navio estava ligado a ideias religiosas sobre a vida após a morte,” explicou o cientista ao The New York Times.

A descoberta em Herlaugshaugen lança nova luz sobre o período Merovíngio, que durou de cerca de 550 a 793 d.C. e foi o precursor da Era Viking. Apesar de ter desencadeado a moda dos enterros de navios, este período da história da região continua sendo notavelmente nebuloso, tendo rendido poucos artefatos arqueológicos.