O Saara está ficando mais verde — e esse é um problema para o clima

O fenômeno tem ocorrido ao longo de milhares de anos, com períodos de maior ou menor crescimento da vegetação
Alessandro Di Lorenzo
Alessandro Di Lorenzo, editado por Bruno Capozzi 05/11/2024 16:00, atualizada em 06/11/2024 21:31

O Saara, localizado no norte da África, é conhecido como o maior deserto quente do mundo. Trata-se de um ambiente extremo para o desenvolvimento de plantas e animais. Só que este mesmo local está registrando um crescimento da vegetação recentemente.

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Cientistas explicam que este fenômeno, que está sendo chamado de “esverdeamento”, tem ocorrido ao longo dos milênios, com períodos de maior ou menor crescimento da vegetação. E um novo estudo aponta as consequências disso para o planeta.

Aumento da umidade possibilitou o crescimento da vegetação

  • Um dos momentos de expansão da flora no Saara ocorreu entre 5 mil e 11 mil anos atrás, durante a primeira metade do Holoceno.
  • O aumento da radiação solar durante o verão boreal, entre junho e agosto, causou mudanças na sazonalidade nos trópicos e nas latitudes médias e altas.
  • Isso provocou o fortalecimento das monções no hemisfério norte, o que desempenhou um papel importante no aumento da umidade em África.
  • Foi neste contexto que foram criadas as condições propícias ao crescimento de arbustos perenes no Saara.
Deserto do Saara
Vegetação no Saara está crescendo nos últimos meses (Imagem: Alex Vog/Shutterstock)

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Modificações duraram milhares de anos no passado

Agora, uma nova pesquisa publicada na revista Climate of the Past utilizou simulações de modelos climáticos para reconstruir o impacto deste processo de “esverdeamento” do Saara nas latitudes médias durante o Holoceno médio.

A conclusão é que o fenômeno pode gerar um impacto durante todo o ano na circulação atmosférica no hemisfério norte. Em outras palavras, o tempo ficará mais quente e seco na Escandinávia e na América do Norte. Estão previstos invernos mais frios e verões mais quentes na Europa Ocidental, aquecimento geral na Europa Central, mais frio e chuva no Mediterrâneo, além de invernos mais quentes e verões mais frios com aumento de chuvas ao longo do ano na Ásia Central.

Mudanças no deserto podem provocar consequências em outras partes do mundo (Imagem: BiniClick/Shutterstock)

Os pesquisadores também identificaram uma mudança na Oscilação do Atlântico Norte, onde mudanças na pressão do nível do mar na superfície ao longo desta bacia oceânica levam a padrões modificados de temperatura e precipitação em continentes próximos.

No passado, o fenômeno causou modificações que duraram milhares de anos devido a uma redução de 80% nas emissões de poeira, bem como a uma diminuição no albedo (capacidade de um objeto ou superfície refletir a luz solar), o que aumentou o aquecimento tropical. Houve também maior reciclagem de água devido à presença de mais vegetação, o que manteve as condições de seca sob controle.

Alessandro Di Lorenzo
Alessandro Di Lorenzo

Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Bruno Capozzi
Bruno Capozzi

Bruno Capozzi é jornalista, mestre em Ciências Sociais e editor executivo do OD.

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