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Assim como o Sol possui uma coroa extremamente fina e quente, visível durante eclipses totais, buracos negros também apresentam uma região semelhante, embora ainda mais difícil de observar.
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Um estudo publicado recentemente no periódico científico The Astrophysical Journal conseguiu analisar essa área enigmática, avançando a compreensão humana sobre a dinâmica dos buracos negros.

Coroa superaquecida é ofuscada por disco de acreção
Buracos negros ativos são cercados por um anel de gás e poeira, além de um disco de acreção de material aquecido que gira em torno deles. Jatos de gás ionizado, acelerando quase à velocidade da luz, emergem de suas regiões polares. Esse modelo explica os diferentes tipos de núcleos galácticos ativos (AGNs), cuja aparência varia de acordo com o ângulo de visão.
Na região mais interna do disco de acreção, existe uma coroa superaquecida, com temperaturas de bilhões de graus Celsius. No entanto, sua luz é ofuscada pelo brilho intenso do disco de acreção, o que a torna praticamente invisível.

Para contornar essa dificuldade, uma equipe de pesquisadores liderada por Mary Lynne Saade, doutora em astronomia pela Universidade da Califórnia-Los Angeles, nos EUA, usou uma abordagem semelhante à observação da coroa solar durante eclipses. Os pesquisadores focaram em buracos negros obscurecidos, cuja visão do disco de acreção é bloqueada pelo anel de gás e poeira.
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Raios-X expõem segredo de buracos negros ativos
Apesar dessa obstrução, a coroa emite raios-X de alta energia, que interagem com o gás e a poeira no entorno, espalhando-se e fazendo o anel refletir. Utilizando dados do Explorador de Polarimetria de Raios-X (IXPE), da NASA, a equipe analisou os buracos negros obscurecidos Cygnus X-1 e X-3, na Via Láctea, e LMC X-1 e X-3, na Grande Nuvem de Magalhães, além de outros oito.
Os resultados revelaram não apenas a detecção dos raios-X das coroas, como também algo surpreendente: em vez de uma esfera semelhante à coroa solar, a coroa do buraco negro forma um disco alinhado ao redor dele, como o próprio disco de acreção.
Essas descobertas oferecem novas pistas sobre como os buracos negros consomem matéria e alimentam os AGNs que iluminam galáxias distantes. Além disso, fornecem informações importantes para refinar os modelos teóricos desses fenômenos cósmicos, ajudando os cientistas a desvendar os segredos do Universo profundo.