Existência do “Planeta 9” é indicada em estudo liderado por brasileiro

Pesquisa liderada por pesquisador da Unesp analisa a possibilidade da existência do "Planeta 9" em nosso Sistema Solar.
Lucas Soares
Lucas Soares, editado por Bruno Capozzi 01/04/2025 09:25, atualizada em 01/04/2025 20:56

Quantos planetas possui o Sistema Solar? Bem, se você está atualizado, provavelmente respondeu oito. Mas sabia que desde o século 19 é especulada a existência de um “Planeta 9”? (e não estamos falando do rebaixado Plutão). Agora, um estudo comandado por um brasileiro colocou mais lenha na fogueira e trouxe novos indícios desse astro.

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A existência do Planeta 9 começou a ser hipotetizada após a descoberta de Netuno em 1846. Isso, pois características como a direção das órbitas de objetos no Sistema Solar externo, distâncias perihélicas maiores do que o normal e a existência de objetos com elevadas inclinações indicavam a presença de um novo astro.

Essa busca resultou na descoberta de Plutão, mas mais de um século depois foi visto que o planeta não tinha a mesma característica de seus vizinhos, o que fez ele perder seu status.

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Mas se Plutão não é esse planeta, poderia existir outro? Após a correção da classificação do nosso planeta anão favorito as buscas se intensificaram, levando a estudos modernos sobre o tema. O mais provável hoje é que, caso ele seja real, esteja situado para além do Cinturão de Kuiper — um vasto disco de objetos espaciais, como asteroides, cometas e planetas anões — em uma região mais externa, fria e escura do Sistema Solar.

Toda essa distância tornaria sua detecção difícil, o que pode explicar a falta de evidências de sua existência. 

Estudo de brasileiro indica existência do “Planeta 9”

A pesquisa feita por pesquisadores da Unesp em parceria com cientistas dos EUA e da França analisou a influência do eventual “Planeta 9” na formação e na trajetória de cometas que já foram observados no Sistema Solar. 

De acordo com a Universidade, no estudo, publicado na revista científica Icarus, “o grupo relata o resultado de uma simulação de um modelo do Sistema Solar contendo um nono planeta. O experimento permitiu monitorar a evolução da nossa vizinhança espacial ao longo de um período equivalente a bilhões de anos”.

Os resultados revelaram que a existência do “Planeta 9” afetaria a formação de duas áreas do sistema solar que abrigam reservatórios de cometas: a área expandida do cinturão de Kuiper e a Nuvem de Oort.

A hipótese moderna mais aceita da existência do astro é de 2016, liderada pelo astrônomo Michael Brown, e considera que Netuno não teria força suficiente para exercer influência gravitacional sozinho contra seis objetos transnetunianos classificados como os mais distantes já registrados no Sistema Solar.  

Regiões onde o Planeta 9 ainda não foi procurado (Imagem: Reprodução/Michael E. Brown et al.)

“A ideia é que esse planeta forneceria uma força gravitacional forte o suficiente para alinhar esses objetos”, diz Rafael Ribeiro de Sousa, pesquisador da Faculdade de Engenharia e Ciências da Unesp, campus de Guaratinguetá, à Unesp.

Mas como esses objetos estão muito distantes do Sul e possuem uma órbita extremamente longa, de 10 mil anos, identificar um planeta ali é bem desafiador. “O que os seis objetos transnetunianos indicam é que é preciso descobrir mais objetos assim, para conseguir uma precisão maior da órbita e do local do Planeta 9”, completa Sousa. 

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“A dificuldade de encontrar objetos distantes no Sistema Solar se deve, basicamente, à distância. Eles precisam ser refletidos, ou seja, a luz do Sol precisa incidir nesses objetos para que apresentem um brilho que possibilite sua observação”, disse ainda o pesquisador.

Como o estudo sobre o novo planeta foi feito

Para contornar isso, o estudo simulou a formação do Sistema Solar e sua evolução contando com a existência do planeta, com o objetivo de entender se essa evolução comportaria o astro.

O experimento simulou a história dos últimos 4,5 bilhões de anos do Sistema Solar, com o Planeta 9 incluído no modelo. O foco estava na formação das regiões do Cinturão de Kuiper e da Nuvem de Oort.

Concepção artística do suposto nono planeta do Sistema Solar. Créditos: Caltech/R. Hurt

Os resultados mostraram que a introdução de um hipotético Planeta 9 resultava na formação de ambas estruturas. Mas, a simulação também resultava no surgimento de uma segunda nuvem, na região expandida do Cinturão de Kuiper.

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“Descobrimos que houve um match, uma coincidência. Nossas simulações foram consistentes com as observações das órbitas dos cometas”, disse o pesquisador. 

Os próximos passos agora são aprimorar a simulação para abarcar os cometas de longo período e entender a relação entre a origem deles, a Nuvem de Oort e o “Planta 9”.

Lucas Soares
Lucas Soares

Lucas Soares é editor de Ciência e Espaço no Olhar Digital e formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Bruno Capozzi
Bruno Capozzi

Bruno Capozzi é jornalista, mestre em Ciências Sociais e editor executivo do OD.

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