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No nordeste do Cazaquistão, próximo à cidade de Semey, repousa um lago com um legado perigoso: o Lago Chagan, também conhecido pelo apelido de “Lago Atômico”.
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Formado pela força colossal de uma explosão nuclear soviética em 1965, este corpo d’água serve como um lembrete sombrio do poder destrutivo e das consequências permanentes dos testes nucleares.
Principal local de testes nucleares da União Soviética
A cratera que hoje abriga o Lago Chagan, com seus imponentes 100 metros de profundidade e 400 metros de largura, é o resultado direto de um experimento nuclear conduzido pela União Soviética.
A vasta área serviu por quatro décadas como o principal campo de testes nucleares da URSS, palco para um total de 456 detonações, sendo 116 delas realizadas na superfície e 340 no subsolo.

O marco inicial desta era nuclear para os soviéticos ocorreu em 29 de agosto de 1949, com a detonação da sua primeira bomba atômica, a RDS-1, no próprio Local de Testes Nucleares de Semipalatinsk, apelidado de “O Polígono”.
Este evento demonstrou o avanço tecnológico da União Soviética, rompendo o monopólio nuclear americano, e também acendeu a temida corrida armamentista que moldou a Guerra Fria. Ao longo dos anos seguintes, uma variedade de armamentos foi testada em Semipalatinsk, desde dispositivos de fissão até as devastadoras bombas termonucleares.

Lugar “Ideal” para experimentos nucleares
A escolha de Semipalatinsk como local de testes não foi aleatória. Seu isolamento geográfico e a relativa facilidade de isolamento de áreas povoadas o tornavam um local “ideal” para os experimentos nucleares soviéticos.
No entanto, essa avaliação ignorou a presença de diversas aldeias nos arredores e a proximidade da cidade de Semey, que abrigava mais de um milhão de habitantes. Essa população foi exposta diretamente à precipitação radioativa liberada pelas inúmeras explosões na superfície, sem qualquer aviso por parte das autoridades soviéticas.

Consequências na saúde
As consequências para a saúde da população local foram devastadoras. O contato com partículas radioativas no ar e a ingestão de alimentos contaminados levaram a um aumento significativo no risco de diversas doenças crônicas.
Estudos realizados desde o final da década de 1980 documentam um impacto considerável na incidência de câncer, doenças da tireoide, distúrbios imunológicos e malformações congênitas entre os residentes da região.
Já em 1958, médicos do Dispensário Número 4 em Semipalatinsk e cientistas do Instituto de Biofísica da Academia de Ciências Médicas da URSS observaram que 22% dos indivíduos examinados apresentavam sintomas relacionados à doença crônica por radiação.
O legado sombrio da radiação não se limita aos efeitos físicos. Pesquisas recentes também destacam o trauma psicológico sofrido pelos moradores locais, marcado pelo estresse e pela ansiedade persistente em relação aos potenciais efeitos da radiação em sua saúde e no futuro de suas famílias.
Leia mais:
- Como se proteger de uma explosão nuclear?
- Bombas nucleares podem destruir asteroides?
- O quanto você precisaria estar longe para sobreviver a uma explosão nuclear?
O Lago Atômico hoje
- A última explosão nuclear soviética em Semipalatinsk ocorreu em 1989.
- Com o colapso da União Soviética e a posterior independência do Cazaquistão, o local de testes foi finalmente fechado.
- O Lago Atômico, antigamente palco de destruição, agora serve como um alerta silencioso sobre as cicatrizes deixadas pela era nuclear.
- As pesquisas sobre as populações que viveram e ainda vivem na região continuam sendo fundamentais para compreender os efeitos a longo prazo da radiação, não somente nos indivíduos expostos, mas também nas futuras gerações.