Plano B para a Lua: Lockheed estuda lançar nave Orion em outros foguetes

Mudança representa guinada significativa na estratégia de exploração espacial dos Estados Unidos
Nave Orion
Orion da missão Artemis II, vista com seus painéis solares instalados para o voo, pouco antes de serem encapsulados em carenagens aerodinâmicas para protegê-los durante o lançamento (Imagem: NASA/Rad Sinyak)

A NASA e a Lockheed Martin estão avaliando a possibilidade de lançar a espaçonave Orion em foguetes diferentes do Space Launch System (SLS), rompendo uma parceria que perdura há quase duas décadas.

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A mudança representa uma guinada significativa na estratégia de exploração espacial dos Estados Unidos, marcada pelo avanço em direção à reutilização e à adoção de modelos comerciais de operação, aponta o ArsTechnica.

Anthony Byers, diretor de Estratégia e Desenvolvimento de Negócios da Lockheed Martin, afirmou que a empresa está preparada para oferecer missões com a Orion como um serviço, caso a NASA queira adotar esse formato. “Nossa mensagem é que apoiamos totalmente isso e já estamos começando essa discussão”, disse o executivo.

Foto mostra os Orions de Artemis II, III e IV todos juntos
Esta foto, de 2023, mostra os Orions de Artemis II, III e IV todos juntos (Imagem: Lockheed Martin)

NASA e Lockheed vão mesmo sepaar o Orion?

  • Desde que o Congresso estadunidense determinou a criação do foguete SLS, há cerca de 15 anos, Orion e SLS têm sido tratados como um conjunto inseparável — com a agência pagando pelos veículos em contratos de custo adicional, supervisionando toda a produção e operação;
  • No entanto, o cenário começou a mudar com a proposta orçamentária do governo dos EUA para o ano fiscal de 2026, que sugere o encerramento do financiamento para Orion e SLS após a missão Artemis III. O Congresso, porém, propôs estender os voos até a Artemis V;
  • Segundo Byers, “diante da orientação do pedido orçamentário do presidente e do que acreditamos ser a direção final da NASA, a agência precisará migrar para uma opção comercial de transporte, semelhante aos programas de tripulação e carga comercial”;
  • Ele explicou que o modelo de “serviço Orion” significaria que a Lockheed forneceria toda a operação — “do solo terrestre até o destino e o retorno da tripulação”.

SLS sendo comercializado? Sem chance

Enquanto isso, o esforço para comercializar o foguete SLS não avançou. Em 2022, Boeing e Northrop Grumman criaram a joint venture Deep Space Transport para oferecer os lançamentos em um formato de serviços, mas nenhum contrato foi concedido pela NASA, e o projeto parece ter sido encerrado. Não há planos para tornar o SLS reutilizável.

Com o alto custo do foguete — estimado em mais de US$ 2 bilhões (R$ 10,9 bilhões, na conversão direta) por lançamento —, a Lockheed está avaliando opções alternativas para o Orion. A espaçonave, com massa de lançamento de 35 toneladas, pode ser enviada à Lua por outros veículos de grande porte ou por meio de uma combinação de foguetes, em que um enviaria o módulo e outro forneceria um empurrão adicional para a órbita lunar.

“Poderíamos criar arquiteturas para voar em outros veículos? Sim, sabemos que podemos”, disse Kirk Shireman, vice-presidente e gerente do programa Orion na Lockheed Martin. “Mas ainda não fizemos os estudos detalhados sobre vibrações, acústica e cargas térmicas.”

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Logo da NASA em uma placa
NASA pode romper contrato de décadas com a Lockheed Martin (Imagem: SNEHIT PHOTO/Shutterstock) – Imagem: SNEHIT PHOTO/Shutterstock

Reutilizando componentes

Para reduzir custos, a empresa aposta na reutilização de componentes. Byers destacou que, inicialmente, a NASA previa desmontar as naves e reaproveitar apenas peças internas, mas essa visão evoluiu com o sucesso de programas, como o Dragon, da SpaceX. “Começamos a introduzir a ideia de reutilizar o módulo da tripulação”, afirmou.

Howard Hu, gerente do programa Orion na NASA, explicou que o plano segue uma abordagem gradual. “Estamos tentando engatinhar, depois andar e então correr em nossa estratégia de reutilização. Queremos aumentar a reutilização, pois sabemos que esse é o caminho para a sustentabilidade e a redução de custos”, afirmou.

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O plano atual prevê que as missões Artemis II, III e IV utilizem naves novas, mas com componentes reaproveitados. O Artemis V, por exemplo, reutilizará cerca de 250 peças do Artemis II, e o Artemis VI aproveitará até três mil componentes, incluindo estruturas primárias e secundárias. A Lockheed pretende construir uma frota de três espaçonaves amplamente reutilizáveis, que poderiam ser utilizadas em várias missões.

A Orion, no entanto, nunca será totalmente reutilizável. O módulo de serviço, construído pela Airbus, é descartado antes da reentrada na atmosfera terrestre e se desintegra. “Provavelmente, deveríamos chamar isso de reutilização máxima, porque há elementos que são consumidos, como o escudo térmico”, explicou Shireman. “Mas vamos reutilizar a estrutura do escudo em si.”

Mesmo com limitações, a Lockheed espera reduzir o custo de produção da Orion em 50% entre as missões Artemis II e Artemis V, e em até 30% adicionais nas seguintes, com menor necessidade de reforma.

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Estilização da Cápsula Orion perto da Lua
Na missão Artemis, vários componentes serão reutilizados (Imagem: muratart/Shutterstock)

A empresa reconhece que não alcançará a reutilização completa e rápida que a SpaceX busca com a Starship, mas acredita que sua abordagem garante segurança e confiabilidade para missões tripuladas ao Espaço profundo.

A Orion deve levar seus primeiros astronautas ao espaço em 2026 e, segundo especialistas, ainda levará anos até que alternativas, como a Starship, ou veículos da Blue Origin, estejam prontas para substituir a espaçonave da NASA. Mesmo assim, a Lockheed já se move em direção a um futuro mais sustentável, buscando adaptar-se a uma nova era de transporte espacial comercial.

Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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