Sequenciadores portáteis de DNA têm falhas que permitem acesso indevido a dados

Pesquisadores da Universidade da Flórida identificam falhas críticas em dispositivos usados para sequenciar DNA.
Médico segurando frasco com desenho de DNA no líquido dentro
Frasco com DNA - Imagem: Cryptographer/Shutterstock

Pesquisadores da Universidade da Flórida identificaram falhas graves de segurança em sequenciadores genéticos portáteis usados em todo o mundo para analisar DNA. O estudo revelou vulnerabilidades até então desconhecidas em dispositivos da Oxford Nanopore Technologies — empresa responsável por praticamente todos os sequenciadores portáteis disponíveis no mercado. As informações são do TechXplore.

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A descoberta indica que hackers poderiam acessar, copiar ou até alterar informações genéticas sem que o usuário percebesse. Os resultados do estudo foram publicados na revista Nature Communications e servem de alerta à comunidade científica sobre a necessidade de adotar sistemas “seguros por design” para proteger dados genômicos.

Falhas podem expor e alterar dados de DNA

Os pesquisadores encontraram três falhas principais no sequenciador portátil MinION e em seu software. Duas delas permitem o acesso indevido ao dispositivo, possibilitando o roubo ou a modificação de dados de DNA. A terceira abre brecha para ataques de negação de serviço, que paralisam o equipamento e o fazem parecer danificado.

O relatório do Cybersecurity and Infrastructure Security Agency (CISA), órgão do governo dos EUA responsável pela defesa cibernética, confirmou as falhas e publicou instruções para atualizar o software dos dispositivos. No entanto, equipamentos que continuarem usando versões antigas ou conectados a redes Wi-Fi inseguras permanecem vulneráveis a ataques.

Segundo os pesquisadores, o risco é ampliado pela natureza portátil desses sequenciadores. Por serem pequenos, de baixo custo e fáceis de transportar, eles precisam ser conectados a um computador para funcionar — o que pode representar um ponto fraco.

Cadeias de DNA sendo sequenciadas
Hackers poderiam acessar, copiar ou até alterar informações genéticas sem que o usuário percebesse (Crédito: CI Photos/Shutterstock)

Como os ataques podem ocorrer

O estudo aponta que, ao conectar o sequenciador de DNA a um laptop, o sistema pode ser comprometido se o computador estiver em uma rede sem proteção ou infectado por malwares. Isso é especialmente preocupante quando o equipamento é usado fora de laboratórios controlados, em campo ou em locais com conexão pública à internet.

Os pesquisadores explicam que os dispositivos da Oxford Nanopore são destinados apenas para uso em pesquisa, não para diagnósticos clínicos. Ainda assim, eles podem ser utilizados para sequenciar o DNA de pessoas, o que aumenta a relevância das preocupações com privacidade e segurança.

O Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA (NIST) começou recentemente a discutir diretrizes específicas para proteger dados genéticos em pesquisas, destacando o aumento da atenção sobre o tema e a falta de normas claras.

Entre as medidas sugeridas pelos especialistas para reduzir os riscos estão:

  • Manter o software dos sequenciadores sempre atualizado;
  • Evitar o uso em redes Wi-Fi públicas ou não criptografadas;
  • Desativar o controle remoto do dispositivo quando não for necessário;
  • Garantir que o computador conectado esteja livre de vírus ou ransomware.
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Vulnerabilidades em sequenciadores portáteis de DNA podem expor informações genéticas a ataques cibernéticos (Imagem: PeopleImages / Shutterstock) – Imagem: PeopleImages/Shutterstock

Colaboração entre áreas revelou ameaças inéditas

A descoberta só foi possível graças à parceria entre os laboratórios das professoras Sara Rampazzi e Christina Boucher, da Universidade da Flórida. Rampazzi é especialista em cibersegurança e já estudou falhas em sistemas críticos, como veículos autônomos e dispositivos médicos. Boucher, por sua vez, desenvolve algoritmos voltados à análise de DNA.

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A combinação das duas áreas permitiu revelar um problema que havia passado despercebido até agora. Para Boucher, o caso mostra que a bioinformática precisa se aproximar mais da comunidade de segurança digital para proteger dados genéticos de forma eficaz.

Maurício Thomaz
Maurício Thomaz

Jornalista com mais de 13 anos de experiência, tenho faro pela audiência e verdadeira paixão em buscar alternativas mais assertivas para a entrega do conteúdo ao usuário.

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