O último adeus: startup promete levar cinzas ao espaço por menos de US$ 250

Com lançamento previsto para 2027 em foguete da SpaceX, a Space Beyond quer democratizar homenagens póstumas usando satélites CubeSats; entenda como funciona
Layse Ventura
Layse Ventura 25/01/2026 12:33, atualizada em 25/01/2026 12:36
Ilustração realista de um pequeno satélite em formato de cubo (CubeSat) orbitando a Terra. Uma face transparente revela centenas de pequenas cápsulas metálicas cilíndricas (urnas individuais) em seu interior, refletindo a luz do sol. Ao fundo, a curvatura azul da Terra e o espaço estrelado.
Ilustração conceitual do CubeSat que será utilizado pela startup Space Beyond. Através do painel transparente, é possível ver as cápsulas individuais que carregarão uma porção simbólica das cinzas para um último adeus na órbita da Terra. O lançamento está previsto para 2027. Imagem: Layse Ventura via Gemini / Olhar Digital

Já imaginou transformar a despedida de um ente querido em uma viagem literal rumo ao infinito? Parece coisa de filme de ficção científica (ou de bilionários excêntricos), mas uma nova startup está querendo democratizar o acesso ao “céu”, e o preço é surpreendentemente acessível.

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Estamos falando da Space Beyond, fundada por Ryan Mitchell, um engenheiro com currículo de peso que inclui passagens pela NASA e pela Blue Origin, de Jeff Bezos. A promessa? Levar as cinzas de mil pessoas ao espaço em 2027.

De onde veio a ideia?

A ideia não surgiu em um laboratório, mas sim durante um acampamento. Mitchell olhava para o céu noturno e, refletindo sobre a drástica queda nos custos de lançamentos espaciais, percebeu que as estrelas estavam mais “perto” do que nunca.

Mas o verdadeiro insight veio em um momento delicado: durante uma cerimônia de dispersão de cinzas de um familiar. Ele sentiu que o momento acabou rápido demais e pensou: “Como eu poderia fazer isso melhor?”. Assim nasceu o programa “Ashes to Space” (Cinzas ao Espaço).

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Como vai funcionar?

A Space Beyond fechou um contrato para integrar um CubeSat (aqueles minissatélites em formato de cubo) em uma missão de carona no foguete Falcon 9, da SpaceX. O lançamento está agendado para outubro de 2027.

Imagem mostra um satélite CubeSat, que supostamente levará ao espaço projeto de "outdoor orbital" da SpaceX
Os CubeSats são uma classe de satélites miniaturizados padronizados em forma de cubo (geralmente com 10x10x10 cm por unidade). Graças a esse design modular e leve, eles conseguem pegar ‘carona’ em grandes foguetes, reduzindo drasticamente o custo de acesso ao espaço para startups e universidades. Imagem: Wikimedia Commons/Reprodução

O grande diferencial aqui não é apenas a tecnologia, mas o modelo de negócios: enquanto concorrentes cobram milhares de dólares, a Space Beyond oferece pacotes a partir de US$ 249 (cerca de R$ 1.330 na cotação atual). Ao usar o modelo de compartilhamento de voo no foguete, o custo despenca.

Mitchell deixa claro que a empresa cresce com recursos próprios e que o objetivo não é o lucro exorbitante típico da indústria funerária. “Mas não pretendo dominar o mundo, nem ganhar bilhões de dólares com isso”, afirmou ele ao TechCrunch.

Tem alguns detalhes

Claro que, para chegar nesse preço, existem limitações físicas e de engenharia. Cada cliente pode enviar cerca de 1 grama de cinzas. É um ato simbólico (o restante das cinzas fica com a família). Isso é necessário para manter o peso do satélite viável. Em outras palavras, não dá para trocar os gastos do enterro ou cremação por um passeio no espaço.

Também não é um memorial eterno. O satélite ficará em órbita sobre todo o globo por cerca de cinco anos.

Mas, pelo lado otimista, as famílias poderão usar aplicativos para saber exatamente quando o satélite (e seu ente querido) estará passando sobre suas casas.

Mulher olha para celular com o semblante calmo
Conexão em tempo real: familiares poderão usar um aplicativo para rastrear a localização exata do satélite e receber notificações quando ele estiver cruzando o céu sobre suas casas. Imagem: PeopleImages.com – Yuri A / Shutterstock
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O último adeus!

O que acontece depois de cinco anos? O satélite reentrará na atmosfera da Terra e se desintegrará devido ao atrito. Ou seja, as cinzas terão um final “ardente”, transformando-se, essencialmente, em uma estrela-cadente.

A empresa nunca espalha as cinzas soltas no espaço (o que geraria detritos perigosos para outras naves). Tudo fica contido até a reentrada atmosférica.

Para Mitchell, que preencheu cadernos inteiros com ideias após sair da Blue Origin – cogitando desde ser diretor de lançamentos até bartender –, essa foi a ideia que grudou. Como a esposa dele disse: “Eu poderia ter te dito isso semanas atrás. Você não para de falar sobre isso”, contou ele.

Layse Ventura
Layse Ventura

Layse Ventura é editora de SEO no Olhar Digital e mestre pela UFSC.

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