Estrela binária na Via Láctea deve explodir até o final deste século

V Sagittae poderá ser vista explodindo no céu, provavelmente no ano de 2083; estrela brilhará tão intensamente quanto à estrela Sirius

Guilherme Preta, editado por Liliane Nakagawa 09/01/2020 11h01
Estrela anã
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A estrela binária V Sagittae (Sge) é pouco visível no céu hoje em dia, mas as coisas devem mudar até o fim do século. De acordo com um anúncio realizado durante a 235ª reunião da Sociedade Astronômica Americana esta semana, no Havaí, a estrela deve explodir em 2083, se tornando a mais brilhante no céu.


A V Sge é um sistema binário formado por uma estrela comum que orbita uma anã branca, derramando matéria nela. Esses sistemas são observados no Universo, mas esta possui uma particularidade, que é o seu brilho 100 vezes maior comparado às demais. Outra diferença é a massa das estrelas, a comum é quase quatro vezes mais massiva que a anã branca.

Emeritus Bradley Schaefer, um dos responsáveis pela descoberta, afirmou que o brilho começará a mudar nas próximas décadas e que, “por volta do ano 2083, sua taxa de acúmulo aumentará catastroficamente, liberando massa a taxas incrivelmente altas sobre a anã branca, com esse material em chamas”. Depois disso, toda a massa da estrela cairá sobre a secundária, criando um vento supermassivo na estrela, que se fundirá e brilhará tão intensamente quanto à estrela de Sirius, “possivelmente até tão brilhante quanto Vênus”.

Segundo os especialistas, a particularidade desse sistema binário faz o fenômeno acontecer mais rápido. Schaefer afirmou que, como a estrela comum é muito maior que a anã branca, a taxa de transferência da massa é aumentada exponencialmente. Dessa forma, como ambas devem entrar em espiral, o brilho do sistema vai aumentar.

O ano de 2083 é apenas uma previsão para quando a explosão deve ocorrer. O astrônomo Juhan Frank afirmou que a previsão da data é de “mais ou menos 16 anos, principalmente porque não temos registros históricos do sistema”. Dessa forma, o fenômeno vai ocorrer entre os anos 2067 e 2099, “provavelmente perto do meio desse intervalo”.

Via: Revista Galileu

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