Lixo espacial: maior parte dos fragmentos é fruto de explosões

Relatório da Agência Espacial Europeia (ESA) indicou que explosões são responsáveis por 32% dos detritos; espaço tem mais de 130 milhões de fragmentos de lixo

Davi Medeiros, editado por Daniel Junqueira 13/10/2020 16h40
Lixo espacial
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Nas últimas décadas, a humanidade acumulou uma enorme quantidade de lixo não apenas na Terra, mas também no espaço. De acordo com um relatório divulgado no fim de setembro pela Agência Espacial Europeia (ESA), existem mais de 130 milhões de objetos despedaçados na órbita terrestre, isso sem contar os foguetes e satélites inteiros que vagam sem utilização.


Explosões em órbita

Um dos riscos mais mencionados quando se fala do acúmulo de lixo espacial é que, eventualmente, os objetos antigos e inúteis abandonados em órbita podem colidir com satélites em funcionamento, causando prejuízo e gerando ainda mais fragmentos de detrito.

Nesse aspecto, poderíamos citar as inúmeras vezes em que a Estação Espacial Internacional (ISS) teve de manobrar para evitar colisões. A última foi há poucas semanas.  

Entretanto, o relatório da ESA revela que choques entre objetos não são os principais responsáveis pela existência de tantos fragmentos minúsculos de lixo no espaço - na verdade, eles respondem por apenas 0,83% dos casos. 

"A maior causa para o problema atual de detritos são as explosões em órbita, causadas por sobras de energia [combustível e baterias] das espaçonaves e foguetes", explica Holger Krag, chefe do Programa de Segurança Espacial da ESA.

De fato, pode se afirmar que a órbita terrestre é um ambiente bastante "explosivo". O estrago causado pelas sobras de combustível representa 32,23% dos eventos de fragmentação no espaço, segundo o relatório.

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Espaço tem mais de 130 milhões de fragmentos de lixo espacial. Imagem: Johan Swanepoel/Shutterstock 

Foguetes descartáveis

Para entender o problema, é preciso voltar algumas décadas no tempo. A partir de 1957, o espaço tornou-se a linha de chegada de uma intensa corrida entre Estados Unidos e Rússia, duas nações que desejavam demonstrar poder por meio de seus programas espaciais.

A disputa foi se atenuando com o passar do tempo, mas o interesse pelo espaço nunca acabou (felizmente). Nas décadas seguintes, cada vez mais países entraram no ramo da exploração espacial, enviando satélites, sondas, telescópios e os próprios componentes da ISS.  

É claro que o interesse por entender o universo deve ser celebrado. O problema é que, para deixar a Terra, cada elemento dessa corrida teve de ser lançado por um foguete, veículos que foram deixados à deriva no espaço assim que entregaram suas cargas.

Somente nos últimos anos começou a se investir em foguetes reutilizáveis, ou seja, capazes de retornar intactos à base de lançamento depois de suas missões. Nesse aspecto, quem se destaca é a SpaceX, que conduz experimentos interessantes com o Falcon 9.   

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Estação Espacial Internacional tem de manobrar frequentemente para evitar colisões. Imagem: Nasa

Por outro lado, a mesma empresa é fonte de preocupação. Isso porque o espaço está repleto de satélites inutilizados, também, e a companhia de Elon Musk planeja enviar uma constelação com milhares de novos objetos até o fim desta década.

"O aumento acelerado de satélites lançados na órbita baixa da Terra é totalmente visível em nosso último relatório", afirmou Tim Florer, chefe do Escritório de Detritos Espaciais da ESA. "Para continuar a se beneficiar da ciência, é vital que alcancemos uma melhor conformidade com as diretrizes essenciais para o uso sustentável do espaço".

Atualmente, a ESA trabalha para encontrar e sugerir soluções. Uma delas é um projeto encomendado pela agência para tentar coletar detritos espaciais, com testes previstos para 2025. A organização também está desenvolvendo tecnologias para automatizar as manobras que evitam colisões, um esforço para que os controladores humanos deixem de precisar rastrear cada peça de equipamento ou satélite desativado em órbita.

"Os detritos espaciais representam um problema para o meio ambiente próximo à Terra em escala global, para o qual todas as nações que exploram o espaço têm contribuído", conclui a agência, "e para o qual apenas uma solução com suporte global pode ser a resposta".

Via: Science Alert


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