Putin defende Sputnik V e a oferece aos funcionários da ONU

Presidente da Rússia afirmou que o imunizante é 'seguro' e 'eficaz', mas declaração não tem sustentação científica; oferta será 'estudada', segundo porta-voz da entidade

Davi Medeiros, editado por Fabiana Rolfini 24/09/2020 14h08
Vladimir Putin
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Na terça-feira (22), durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, defendeu a controversa vacina produzida em seu país contra a Covid-19, a Sputnik V. E mais, ofereceu doses gratuitas aos funcionários da entidade. 


O governante afirmou que está disposto a proporcionar "toda a assistência necessária" tanto à ONU quanto a quaisquer países que tenham interesse no imunizante, que, segundo ele, é eficaz e seguro. 

"Qualquer um de nós pode enfrentar este vírus perigoso, que não poupou funcionários das Nações Unidas em sua sede e entidades regionais", disse o presidente. "A Rússia está pronta para oferecer ajuda qualificada aos trabalhadores da ONU, e propomos fornecer nossa vacina gratuitamente àqueles que quiserem se voluntariar".  

Se não incorreta, a declaração de Putin é no mínimo antecipada, já que ainda não existem comprovações científicas consistentes sobre a 'segurança" e "eficácia" da vacina.

Reprodução

Vacina russa contra a Covid-19 desperta desconfiança devido à rapidez com que foi registrada. Imagem: Yalcin Sonat/Shutterstock 

A Sputnik V foi registrada precocemente, como avalia grande parte da comunidade científica, após ensaios clínicos preliminares envolvendo um pequeno grupo de pessoas. Só agora a vacina é testada em milhares de voluntários, mas, como observa o site Ars Technica, qualquer resultado está a meses de distância.

Resposta da ONU

A par dessas inconsistências, os funcionários da ONU não quiseram se manifestar sobre a "generosa" oferta de Putin. A porta-voz oficial da entidade, Stephane Dujarric, se limitou a afirmar, à agência de notícias Associated Press, que a proposta será "estudada pelos serviços médicos" da organização -  uma forma educada de declinar a oferta, provavelmente. 

Já a porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Harris, não quis comentar.

Vale lembrar que o Brasil está incluído na produção e distribuição da Sputnik V, graças a uma parceria firmada entre a Rússia e o estado do Paraná. A última etapa de testes envolverá dez mil voluntários brasileiros e começará em outubro, de acordo com o Instituto de Tecnologia do Paraná (TecPar), responsável pela distribuição nacional do imunizante.  

Via: Ars Technica


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