Em 15 de janeiro de 2022, o vulcão Hunga Tonga-Hunga Ha’apai explodiu no Pacífico Sul. A força lançou ondas pela atmosfera inteira, produziu som audível a milhares de quilômetros e enviou material à mesosfera. A erupção também redesenhou a ilha vulcânica acompanhada havia anos por cientistas, deixando registros que transformaram o episódio em um caso único.
Como a explosão de Hunga Tonga atravessou o planeta?
A explosão gerou uma onda de Lamb, perturbação de pressão capaz de viajar grandes distâncias guiada pela superfície terrestre. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), instrumentos registraram quatro passagens diretas e três passagens antipodais ao longo de seis dias. O padrão revelou uma circulação atmosférica extraordinariamente persistente. Sensores terrestres e espaciais registraram o fenômeno em pontos muito distantes do Pacífico Sul.
O USGS afirma que uma explosão atmosférica desse porte não havia sido documentada no registro geofísico moderno. Pela amplitude da onda de Lamb, o evento foi comparável à erupção de Krakatau em 1883. A comparação não significa que os dois episódios foram idênticos, mas mostra a dimensão das perturbações de pressão observadas em 2022. O mesmo estudo registrou sinais sísmicos e perturbações na ionosfera, revelando efeitos em diferentes partes do sistema terrestre.
O som realmente percorreu cerca de 10 mil quilômetros?
Sim. O estudo do USGS registrou som audível de longo alcance a cerca de 10 mil quilômetros, além de infrassom detectado globalmente. Infrassom é uma vibração com frequência abaixo da faixa normalmente percebida pelo ouvido humano. Redes de monitoramento captaram essas ondas muito além do arquipélago de Tonga. A combinação de som audível, infrassom e pressão tornou a erupção observável por instrumentos de vários tipos.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) também acompanhou a onda de pressão. Seus instrumentos indicaram velocidade próxima de 312 metros por segundo e três voltas ao redor da Terra antes da dissipação. Essa descrição não contradiz o USGS, porque cada análise contabiliza passagens e trajetórias atmosféricas de maneira diferente. O estudo do USGS também indica que o acoplamento entre atmosfera e oceano provavelmente contribuiu para ondas de tsunami que chegaram rapidamente a áreas distantes.

Por que a coluna vulcânica chegou tão alto?
A energia da erupção empurrou gases, vapor e cinzas até aproximadamente 58 quilômetros de altitude. A Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA) calculou essa altura com observações dos satélites GOES-17 e Himawari-8. O topo alcançou a mesosfera, camada situada acima da estratosfera. Segundo a agência, a coluna saiu da superfície do oceano e atingiu sua altura máxima em cerca de 30 minutos.
Antes de Hunga Tonga, a NASA apontava o Pinatubo, em 1991, como referência entre as maiores colunas vulcânicas observadas por satélite. A pluma de Pinatubo alcançou cerca de 35 quilômetros. Em Tonga, o material subiu muito mais alto. A NASA descreveu o episódio como provavelmente a maior pluma vulcânica já medida na era dos satélites. A comparação dimensiona o evento sem depender de estimativas de energia que variam entre métodos científicos.
O que restou da ilha depois da erupção?
A formulação de que a ilha foi apagada do mapa precisa de uma ressalva. A NASA verificou que toda a terra nova surgida em 2015 desapareceu, junto com grandes porções de Hunga Tonga e Hunga Ha’apai. Partes das ilhas anteriores permaneceram acima da água, portanto não houve desaparecimento completo de todo o conjunto. O terreno perdido era acompanhado desde que uma erupção anterior havia unido as duas ilhas mais antigas.
A transformação foi especialmente marcante porque cientistas acompanhavam aquela nova superfície desde sua formação. Em poucos anos, plantas, insetos e aves haviam começado a ocupar o terreno vulcânico. A erupção interrompeu esse laboratório natural e alterou novamente a borda exposta de uma grande caldeira submarina. A NASA descreve o vulcão como uma estrutura que se eleva cerca de 1,8 quilômetro desde o fundo oceânico.
Por que Hunga Tonga continua sendo um caso excepcional
Hunga Tonga reuniu efeitos atmosféricos, oceânicos e geológicos em uma escala incomum. A NOAA registrou tsunami com aproximadamente 22 metros de altura em terra na ilha de Tofua. Os registros globais ajudam a reconstruir o episódio com precisão e mostram como uma erupção submarina pode transferir energia entre oceano e atmosfera.
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