Facebook alega ter banido completamente o movimento QAnon de suas redes sociais

Movimento que já foi classificado pelo FBI como 'ameaça terrorista doméstica' mistura teorias da conspiração e ideias de extrema direita, e tem Donald Trump na figura de seu salvador

Rafael Rigues 07/10/2020 09h28
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O Facebook anunciou nesta terça-feira (6) que está banindo completamente de sua rede social e do Instagram "páginas, grupos e contas" representando o QAnon, um "movimento social militarizado" baseado em teorias da conspiração que vem ganhando força nos EUA e em outros países.


Segundo a empresa, serão removidas "páginas, grupos e contas no Instagram representando o QAnon, mesmo que não tenham conteúdo violento". Posts individuais relacionados ao movimento e suas crenças ainda serão permitidos.

A medida representa um endurecimento de uma política iniciada em agosto deste ano, que removia páginas, grupos e contas associadas ao movimento caso discutissem violência em potencial, e impunha uma série de restrições para limitar o alcance do conteúdo.

O Facebook lembra que grupos e contas do Instagram que representam um movimento social militarizado já são proibidas, e afirma que irá continuar a desabilitar os perfis de administradores responsáveis por páginas e grupos removidos por violar esta política.

O QAnon é um movimento baseado em uma colcha de retalhos de teorias que parece um roteiro mal-escrito de um filme B. O mundo seria secretamente governado por uma camarilha de satanistas pedófilos, entre eles membros do Partido Democrata dos EUA, como a Senadora Hillary Clinton, que além da política também controlam a mídia e Hollywood.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, teria sido eleito como um "salvador" para acabar com o domínio do mal, e irá liderar os membros do QAnon em um evento conhecido como "a tempestade", onde membros da camarilha serão presos e os militares assumirão, de forma violenta, o governo dos EUA. No meio de toda esta salada estão referências a simbolos e ideias associadas a movimentos fascistas e racistas.

O movimento foi classificado pelo FBI como uma ameaça terrorista doméstica, o que não impediu que ganhasse força nos EUA e até mesmo no Brasil. O próprio Donald Trump já reuitou ou mencionou conteúdo de contas associadas ao movimento centenas de vezes, assim como jornalistas da Fox News como Sean Hannity e outras personalidades.

De acordo com o Facebook, além de glorificar e estimular a violência contas associadas ao QAnon foram ligadas a outras formas de danos no mundo real, como quando começaram a alegar que os incêndios florestais na costa leste dos EUA tinham sido causados por grupos anti-fascistas ("antifa"), que estariam se preparando para saquear casas evacuadas. Isso forçou as autoridades a dividir sua atenção entre combater a desinformação para acalmar o público e lutar contra as chamas.

"Além disso, as mensagens do QAnon mudam muito rapidamente, e vemos redes de apoiadores ganhando uma audiência com uma mensagem e rapidamente mudando para outra. Esperamos combater isso de forma mais efetiva com essa atualização, que reforça e expande nossas medidas contra movimentos baseados em teorias da conspiração", diz a empresa.

Fonte: Facebook

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