Funcionários do Facebook criticam política de Mark Zuckerberg

Em carta aberta ao CEO e seus executivos, cerca de 250 funcionários se opuseram a atual política de propaganda eleitoral na plataforma e pediram maior transparência

Sofia Aureli, editado por Matheus Luque 30/10/2019 11h55
Mark Zuckerberg
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Faltando um ano para as eleições presidenciais dos Estados Unidos, o Facebook atualizou as políticas sobre disseminação de Fake News e desinformação, lançando uma série de recursos para “proteger o processo democrático”. Porém, nem todas as medidas são efetivas: a rede vai permitir que políticos mintam em suas propagandas políticas publicadas na plataforma, e ainda vai continuar recebendo por isso.


Em resposta aos novos critérios estabelecidos pelo Facebook, nesta segunda-feira (28) empregados da empresa escreveram uma carta aberta à Mark Zuckerberg e seus executivos, pedindo que sejam revistas as estratégias de regulação das propagandas políticas pagas dentro da plataforma.

Obtida pelo New York Times, a carta foi assinada por mais de 250 funcionários que acreditam que a plataforma está sendo usada como arma política e ameaçando a liberdade de expressão.

“A desinformação afeta a todos nós. Nossas políticas atuais sobre verificação de fatos sobre pessoas em cargos políticos ou de candidatos a cargos são uma ameaça para o que o Facebook representa. Nós somos fortemente contra essa atual política. Ela não protege vozes, mas permite que políticos usem nossa plataforma como armas, mirando pessoas que acreditam que o conteúdo postado por figuras políticas é confiável”


Desde o escândalo da Cambridge Analytica, no ano passado, 50 milhões de perfis tiveram seus dados vazados e a reputação do Facebook foi globalmente questionada. Na visão dos empregados, o posicionamento da plataforma sobre as propagandas políticas só tende a aumentar a desconfiança:

“Permitir que desinformações cívicas pagas sejam executadas na plataforma em seu estado atual tem o potencial de aumentar a desconfiança em nossa rede, permitindo que conteúdo orgânico e pago fiquem lado-a-lado, sendo que alguns podem ter sido checados e outros não. Além disso, isso comunica que nós estamos concordando com lucrar em campanhas deliberadas de desinformação por parte de pessoas que buscam posições de poder”.

A carta sugere algumas propostas para melhorar este aspecto, incluindo manter os anúncios políticos com a mesma sinalização de anúncios normais, restringir a segmentação de público-alvo e fornecer um design chamativo para estas publicidades.

De acordo com o Facebook, a empresa fez “investimentos significativos desde 2016 para reduzir a disseminação de desinformação e contas fakes”. Entre as novas políticas está a de indicar quais conteúdos são falsos e quais foram produzidos por empresas governamentais. As propagandas políticas não se enquadram nisso.

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