Cabos submarinos

Google e Facebook desistem de cabos submarinos na China

Vinicius Szafran, editado por Liliane Nakagawa 10/02/2020 02h02
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O link de internet de alta velocidade das empresas para Hong Kong tornou-se um problema político

Facebook e Google parecem ter se conformado com a perda de parte do cabo de internet de maior e mais alto perfil em que investiram até o momento. Em comunicado à Comissão Federal de Comunicações (FCC) na semana passada, as duas empresas solicitaram permissão para ativar a Pacific Light Cable Network (PLCN) entre os EUA e as Filipinas e Taiwan, deixando as polêmicas seções de Hong Kong e da China inativas.


Globalmente, cerca de 380 cabos submarinos transportam mais de 99,5% de todo o tráfego de dados transoceânicos. Toda vez que visitamos um site estrangeiro ou enviamos um e-mail ao exterior, usamos um cabo de fibra ótica no fundo do mar. Os satélites, mesmo as grandes redes planejadas, como o sistema Starlink da SpaceX, não podem mover dados de maneira tão rápida e barata quanto os cabos submarinos.

Quando foi anunciado em 2017, o PLCN de 13 mil quilômetros foi apontado como o primeiro cabo submarino que conectaria diretamente EUA e Hong Kong, permitindo que Google e Facebook se conectassem de forma rápida e segura com data centers na Ásia, além de liberar novos mercados.

O cabo de 120 terabits por segundo deveria estar operando comercialmente no verão de 2018. Em vez disso, o PLCN foi interrompido por por uma batalha regulatória em andamento nos EUA, que se tornou politizada por brigas comerciais e tecnológicas com a China.

 

Reprodução

A Team Telecom, uma sombria unidade de segurança nacional dos EUA composta por representantes dos departamentos de Defesa, Segurança Interna e Justiça (incluindo o FBI), tem a tarefa de proteger os sistemas de telecomunicações da América, incluindo cabos de fibra ótica internacionais. Seus processos regulatórios podem ser tortuosamente lentos. A empresa levou quase sete anos para decidir se deveria permitir a China Mobile, empresa estatal, acessar o mercado de telecomunicações dos EUA, antes de se opor a ela em 2018 com base nos "riscos substanciais e sérios de segurança nacional e aplicação da lei".

Apesar do Google e Facebook tenham sido a face pública do PLCN, quatro dos seis pares de fibra ótica pertencem a uma empresa chamada Pacific Light Data Communication (PLDC). Quando o projeto foi planejado, a PLDC tinha sede em Hong Kong e era controlada pelo empresário chinês Wei Junkang.

Em dezembro de 2017, Wei vendeu a maior parte de sua participação na PLDC ao Dr. Peng Telecom & Media Group, um provedor de banda larga privado sediado em Pequim, o que ligou o sinal de alerta dos EUA. Embora não seja estatal, a Dr. Peng trabalha em estreita colaboração com a Huawei - empresa acusada de espionagem por Trump -, além de trabalhar em projetos do governo da China.

Desde então, o PLCN tem sido um limbo legal, com o Google reclamando a FCC sobre as despesas da incerteza em andamento.

 Reprodução

No ano passado, Google e Facebook finalmente obtiveram permissão especial para construir, conectar e testar temporariamente uma estação de desembarque de cabos em Los Angeles. Entretanto, embora essencialmente completa, a Team Telecom não tomou decisão sobre se os dados podem ou não começar a fluir pela rede.

Até 2019, a Team Telecom permitia que cabos submarinos – mesmo da China - chegassem aos EUA, desde que as empresas que os operassem assinassem acordos de segurança de rede. Esses contratos normalmente exigem que as operações de rede sejam baseadas nos EUA, usando uma lista aprovada de equipamentos e com triagem de segurança. Os operadores são obrigados a bloquear ameaças de segurança de potências estrangeiras, ao mesmo tempo em que obedecem a solicitações legais de vigilância do governo americano.

Em 2017, a Team Telecom deu sinal verde ao cabo New Cross Pacific (NCP), que conecta diretamente China e EUA, apesar de pertencer a China Mobile, antes de ter acesso negado por motivos de segurança nacional.

Na semana passada, representantes de Google e Facebook - mas não da PLDC - se reuniram com funcionários da FCC para propor uma nova abordagem. Um registro, realizado no mesmo dia, pede permissão para operar apenas com os dois pares de fibra PLCN de propriedade das empresa americanas (o link do Google para Taiwan e o do Facebook para as Filipinas), descreve também como cada par de fibras tem seu próprio equipamento de terminação, com as conexões do Google e do Facebook chegando a Los Angeles em gaiolas inacessíveis às outras empresas.

Nenhuma das empresas comentou diretamente sobre o novo pedido. Entretanto, e ironicamente, os dados norte-americanos de e para a China continuam fluindo por meio do cabo NCP controlado pela China Mobile - a única empresa que a Team Telecom e a FCC já haviam recusado por riscos à segurança nacional.

Via: TechCrunch


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