Cigarro Eletrônico

Potencial culpado de mortes por cigarro eletrônico é encontrado

Vinicius Szafran, editado por Liliane Nakagawa 11/11/2019 19h50
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Fluidos pulmonares de pacientes que usaram vapores de THC continha acetato de vitamina E

As autoridades federais de saúde dos Estados Unidos identificaram o acetato de vitamina E nos fluidos pulmonares de 29 pacientes doentes no surto de lesões pulmonares perigosas relacionadas aos cigarros eletrônicos. A descoberta é um "avanço" que aponta para um potencial culpado pelo surto que fez adoecer mais de 2 mil pessoas e matou ao menos 39.


"Essas descobertas fornecem evidências diretas de acetato de vitamina E no local primário de lesões nos pulmões", disse Anne Schuchat, vice-diretora principal do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). As descobertas anunciadas na sexta-feira (8) não descartam outros compostos ou ingredientes como causadores, mas Schuchat descreveu os resultados como um "avanço" na investigação.

O CDC testou uma ampla gama de substâncias que podem ser encontradas nos fluidos pulmonares dos pacientes, incluindo óleos vegetais e destilados de petróleo, como o óleo mineral. Mas "nenhuma outra toxina potencial foi detectada".

Funcionários do CDC encontraram acetato de vitamina E, um óleo derivado da vitamina, em todas as 29 amostras de fluido pulmonar coletadas de pacientes que adoeceram ou morreram de lesões nos pulmões. O THC (tetrahydrocannabinol), ingrediente psicoativo da maconha, também foi encontrado em 23 pacientes, incluindo três que disseram não usar produtos com THC. Já a nicotina foi encontrada em 16 deles. 

O acetato de vitamina E já foi identificado em testes anteriores pela Food and Drug Administration (FDA) e por laboratórios estaduais. A substância é um aditivo popular porque é incolor e inodoro, tem viscosidade semelhante ao óleo de THC e é muito mais barato. O laboratório Wadsworth Center, no estado de Nova York, foi o primeiro a descobri-lo, há cerca de dois meses, em amostras de pacientes doentes. Das 595 amostras vinculadas a pacientes que foram testados pelo FDA, 70% continham THC. Metade desses produtos que contêm THC também tinham acetato de vitamina E. 

As descobertas são significativas porque, pela primeira vez, os cientistas conseguiram conectar os resultados dos testes com amostras clínicas. Os 29 pacientes são de dez estados, representando uma área geográfica diversificada. A maioria dos pacientes era do sexo masculino, com idade média de 23 anos. Dois dos pacientes morreram.

O acetato de vitamina E é encontrado em muitos alimentos e cosméticos, especialmente em produtos para o cuidado da pele. Não é conhecido por causar danos quando ingerido ou aplicado na pele, mas quando aquecido e inalado, pode interferir na função pulmonar normal. Suas propriedades podem estar associadas aos tipos de sintomas respiratórios relatados por muitos pacientes - tosse, falta de ar e dor no peito, disseram autoridades e especialistas.

As descobertas, detalhadas em um relatório do CDC, também reforçaram as advertências oficiais de saúde contra o uso de cigarros eletrônicos ou de produtos vaping que contêm THC, especialmente aqueles comprados nas ruas.

O CDC mantém sua recomendação de que os consumidores considerem se abster de usar todos os produtos de cigarro eletrônico, incluindo aqueles que contêm nicotina. Isso ocorre porque uma pequena proporção de pacientes continua relatando uso exclusivo de produtos que contêm nicotina, disse Schuchat.

Quando o óleo é aquecido o suficiente para vaporizar, ele pode se decompor e "agora você está respirando quem sabe o que", disse a professora de química Michelle Francl.

Mas as autoridades ainda precisam testar a substância em pessoas que vomitaram ou não sofreram esses ferimentos, segundo Schuchat. As autoridades também querem testar um número mais amplo de amostras de fluido pulmonar de pacientes em diferentes locais, disse ela.

Os cientistas do CDC haviam elaborado uma lista prioritária de produtos químicos com potencial tóxico. Deles, apenas o acetato de vitamina E foi encontrado. Encontrar a substância em 100% das amostras é "um sinal muito forte", segundo os pesquisadores, acrescentando que é "praticamente inédito".

Via: The Washington Post

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