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Desde o início de março, o mundo foi colocado de joelhos perante à pandemia do novo coronavírus. Por diversas determinações, a rotina de acordar e encarar o trânsito para chegar ao escritório deu lugar ao trabalho pelo acesso remoto e distanciamento corporativo. Quase nove meses depois, algumas empresas do setor de tecnologia ou não se decidiram ainda, ou já determinaram que não devem voltar ao modelo tradicional.

Seja por uma economia de recursos ou ganhos em produtividade, várias companhias do setor tecnológico brasileiro estão tentando viabilizar métodos mais permanentes de trabalho remoto. CEOs e gestores relatam ao Olhar Digital experiências positivas advindas de uma situação que, para todos os efeitos, é ruim, já que ninguém quer uma doença pandêmica batendo em sua porta.

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“A maior surpresa foi o aumento do nível de engajamento de todo o time”, disse Angelica Vitali, diretora geral da T-Systems do Brasil. “Todos nós estamos engajados em entregar o nosso melhor, em buscar o melhor para nossos clientes. Existe um senso comum de união e solidariedade que vai além da demanda, do contrato, que só podemos associar aos nossos princípios, sob os quais vivemos todo dia e que afloraram neste momento de pandemia”.

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Angelica Vitali, da T-Systems: antigo regime de um dia remoto por semana deu lugar a pilares 100% home office e modelos híbridos. Imagem: T-Systems do Brasil/Divulgação 

Vitali nos contou que, antes mesmo da Covid-19 aparecer, a T-Systems há anos empregava uma prática de trabalho remoto, mas o modelo funcionava mais como uma troca de turnos: uma vez por semana, funcionários das equipes poderiam trabalhar de casa, em um regime “1-por-4” (os outros quatro dias eram presenciais, em escritório).

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“O principal objetivo da adoção do trabalho remoto era melhorar o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, além de viabilizar mais tempo para que nosso time cuidasse de sua saúde. Iniciamos alguns anos atrás com uma política que estabelecia trabalho remoto uma vez por semana apenas para determinados perfis profissionais e evoluímos para até 5 vezes por semana para praticamente todos os perfis profissionais”, comentou.

Para a diretora, a troca gerou lucro. Uma empresa do porte da T-Systems, que, segundo alguns canais de RH que pesquisamos pelo Google, conta com mais de 1,6 mil clientes e mais de dois mil funcionários em vários municípios do país, certamente possui posições que dependem da atuação presencial. Angelica reconhece isso, e confirma que a companhia está desenvolvendo novas formas de encarar a rotina de trabalho de maneira a aproveitar o máximo os modelos remoto e local.

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Ambiente remoto foi adotado como medida emergencial para a maioria das empresas, devido à pandemia. Imagem: David Martyn Hunt/Flickr

“A T-Systems está neste momento redesenhando suas operações, remodelando a forma que retornaremos aos nossos escritórios”, ela explica. “Nossos times certamente não voltarão para sentar e trabalhar sem ter um objetivo grande de colaboração. Existe a expectativa de redução drástica de nossos escritórios e ao mesmo tempo uma adequação para espaços mais modernos. Os valores economizados até o momento não são tão significativos, até porque estamos numa fase de aprendizado deste ‘novo normal’, mas o que já podemos assegurar, é que os valores que forem economizados serão reinvestidos para garantir as melhores condições e experiências para nossos colaboradores”.

Mais além, a empresa está criando modelos híbridos para experimentar essa nova realidade – sobretudo quando a pandemia for embora de nossas vidas: “seguiremos com o trabalho remoto como uma prática permanente para uma grande parte de nosso time”, explicou Angelica. “Basicamente, vamos nos dividir em três categorias: uma com profissionais que estarão permanentemente em trabalho remoto, outra com um time hibrido e, ainda, uma terceira, com o time que precisa estar no local – seja nos nossos escritórios ou alocados em clientes”.

Constante adaptação

Outra empresa que se viu beneficiada pelo trabalho remoto “forçado” foi a Datalege Consultoria. Segundo Mario Toews, responsável pela proteção de dados da companhia (DPO), o modelo de negócios da marca já permitia o home office como uma escolha dos funcionários. Mas foi depois da Covid-19 que essa realidade tornou-se permanente.

“Antes da pandemia, o trabalho remoto era uma opção da equipe. Agora se tornou uma exigência e uma necessidade. Para atender ao mercado é necessária a constante adaptação e foi o que fizemos. O resultado foi excelente porque nos possibilitou ampliar a nossa capacidade de atuação, principalmente no que diz respeito aos treinamentos para encarregado de dados (DPO)”, comenta o executivo.

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Mario Toews, DPO da Datalege Consultoria: o trabalho remoto forçado pela pandemia ajudou a empresa a expandir seus negócios para outros estados e países. Imagem: Datalege/Divulgação

Um dos principais pilares da empresa é a oferta de cursos e treinamentos. Toews conta que, antes da pandemia, essa parte do dia a dia era conduzida de forma majoritariamente presencial, o que acabou limitando um pouco o leque de opções de atuação da Datalege. Com a chegada da Covid-19 e a mudança de paradigma que ela trouxe, a consultoria se viu forçada a repensar suas estratégias – o que se mostrou um benefício a médio e longo prazo:

“Até o início do ano, nossos cursos ocorriam exclusivamente de forma presencial, por uma decisão da diretoria. Tínhamos uma certa resistência de migrar para o online e nos tornarmos apenas ‘mais um cursinho de DPO’”, contou Mario. “A preocupação era manter a qualidade e ter o feedback dos alunos”.

“Com o distanciamento social”, ele continuou – “os treinamentos remotos foram a saída para continuar oferecendo os cursos. Foi na prática que percebemos que era possível manter a qualidade e ainda ampliar nossa abrangência. Como os alunos não precisariam mais estar presentes fisicamente, eles poderiam vir de qualquer lugar do país. Foi uma grata surpresa e uma grande conquista”.

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Cursos da Datalege eram majoritariamente presenciais, mas mudança para modelo remoto permitiu que a empresa adquirisse mais alunos em diferentes partes do mundo. Imagem: Datalege/Divulgação

O resultado disso, Toews contou, foi um avanço na oferta de serviços, além de significativa redução de custos. O gestor explicou que, pelo modelo presencial de outrora, gastos com viagens, estadias e deslocamentos dos funcionários eram constantes e poderiam se amontoar. “Hoje, nos treinamentos, temos sessões com profissionais do Brasil inteiro, vários estados juntos, o que favorece uma diversidade cultural e organizacional muito interessante”.

“Como benefício tanto para nós quanto para nossos clientes, houve uma redução de quase 90% nos custos de viagens e estadias”, comemorou Mario. “Mas a grande vantagem mesmo foi a economia de tempo: na interface com os clientes, nosso trabalho envolve reuniões constantes com diretores de áreas, gerentes, CEOs, profissionais com a agenda bastante comprometida. E não é raro ocorrerem imprevistos, reagendamentos de reuniões, adiamentos. Hoje isso ainda ocorre eventualmente, mas o prejuízo é mínimo, pois podemos dar continuidade a outras tarefas. Não há mais o tempo perdido no deslocamento”.