O ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, confirmou ao Itamaraty que o país não poderá enviar dois milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca que seriam importadas para o Brasil. A justificativa seriam os “problemas logísticos” decorrentes das dificuldades de conciliar o início da campanha de vacinação indiana com o fornecimento de imunizantes para outras nações.

Jaishankar teria conversado diretamente por telefone com o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, e deixado claro que há a intenção de fornecer as doses produzidas pelo Serum Institute “nos próximos dias”, sem definir data. Um avião decolaria na noite desta sexta-feira (15) a partir do aeroporto dos Guararapes, no Recife, com destino à Índia para buscar os imunizantes.

publicidade
Aeronave que iria até a Índia buscar as vacinas aguarda no Recife. Ministério da Saúde/Divulgação

Em 3 de janeiro o CEO do Serum Institute, Adar Poonawalla, disse em entrevista à Associated Press que o governo indiano havia vetado a exportação de doses da vacina de Oxford, para garantir a imunização de todos os indianos que integram o grupo de risco.

Dois dias depois, Poonawalla veio a público esclarecer sua declaração, e afirmou que as vacinas poderão ser exportadas, mas apenas após o Serum Institute entregar ao governo indiano 100 milhões de doses, o que levaria dois meses.

Desfalque para o início da campanha

Os dois milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca se juntariam a outros 4,5 milhões de doses prontas da Coronavac, que serão encaminhadas para Centro de Distribuição e Logística do Ministério da Saúde pelo Instituto Butantan.

Com esse conjunto de imunizantes, e a devida aprovação da Anvisa, o governo federal espera iniciar a vacinação nacional contra a Covid-19 na data planejada: 20 de janeiro. Sem as doses importadas da Índia, o Ministério da Saúde enviou ao Instituto Butantan um ofício no qual pediu a entrega “imediata” dos 6 milhões de doses que foram importadas da China.

“Ressaltamos a urgência na imediata entrega do quantitativo contratado e acima mencionado, tendo em vista que este ministério precisa fazer o devido loteamento para iniciar a logística de distribuição para todos os estados da federação de maneira simultânea e equitativa, conforme cronograma previsto no Plano Nacional de Operacionalização da vacinação contra a Covid-19”, afirma o documento.

De acordo com o portal G1, o Butantan questionou o ministério sobre qual quantitativo será destinado ao estado – já que no plano original do governo paulista, do total de 6 milhões de doses já prontas, pelo menos 1,5 milhão ficariam em São Paulo.

“Para todas as vacinas destinadas pelo instituto ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), é praxe que uma parte das doses permaneça em São Paulo, estado mais populoso do Brasil. Isso acontece, por exemplo, com a vacina contra o vírus influenza, causador da gripe. Portanto, o instituto aguarda manifestação do Ministério também em relação às doses da vacina contra o novo coronavírus”, acrescentou o Butantan.

Via: UOL/EBC/G1