O navegador Brave, conhecido por ser mais amigável às criptomoedas, adotou suporte para o protocolo IPFS (“InterPlanetary File System”), um modelo de compartilhamento de conteúdo similar ao torrent, mas que as autoridades têm bem mais dificuldade em derrubar. A atualização já está disponível via menu de configurações – ou no site da empresa, em caso de novos usuários.

O padrão IPFS é classificado como “P2P” (“pessoa para pessoa”, ou “Peer-to-peer”), um formato de compartilhamento de arquivos que data desde a época do memorável Kazaa, da década de 1990. Devido à segurança aprimorada, porém, ele vem sendo adotado por muitos entusiastas da comunidade open source, além de oferecer recursos como visualização offline de arquivos e uma confiabilidade geralmente maior comparado a outros padrões.

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Vale lembrar que, por “conteúdo”, o IPFS não se limita apenas a arquivos específicos. Por exemplo: partes da Wikipedia, por exemplo, obedecem ao padrão IPFS. Esse formato é bastante comum para quem lida com blockchain.

brave ipfs
Brave agora passa a aceitar URLs que comecem com “ipfs://”, habilitando o suporte a um formato de compartilhamento de conteúdo para entusiastas do open source. Imagem: Brave/Divulgação

Com a atualização, o Brave permitirá que usuários abram endereços que comecem com a sigla do protocolo (“ipfs://”), além de dar a capacidade de rodar um nódulo IPFS por eles próprios. Segundo a companhia, a medida “vai ajudar a aumentar a resiliência da internet”.

A companhia Brave (empresa e navegador são homônimos) adotar o IPFS não é uma atitude exatamente inesperada, considerando o histórico da empresa com tecnologias descentralizadas.

Fundada por Brendan Eich (cofundador da Mozilla Foundation, organização responsável pelo concorrente Firefox), a companhia conta hoje com 24 milhões de usuários ativos mensais, dando vida ao seu navegador, que traz promessas de gestão de suas criptomoedas via uma interface dedicada. Em 2018, a Brave também iniciou testes beta de suporte ao Tor, o sistema de navegação anônimo usado por internautas que prezam por privacidade.

O Opera já havia habilitado, desde 2020, o suporte ao protocolo IPFS – porém, dentro de uma capacidade limitada. A Brave não deixou claro em seu anúncio, mas tudo indica que o uso da tecnologia em seu navegador é mais livre.

Fonte: Brave Software