A Apple encontrou uma forma descontraída para explicar como funciona a coleta de dados de um usuário conectado. Na quinta-feira (28), a companhia publicou um documento intitulado “A Day in the Life of Your Data” (“Um Dia na Vida de Seus Dados”, em português) que, por meio de um conto, narra os diversos ataques à privacidade de um indivíduo em apenas um dia.

O PDF também anuncia um novo recurso da Apple para proteger os dados de seus usuários, além de mencionar outras medidas adotadas pela empresa.

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De forma lúdica, o conto narra a história de um dia na vida de John e sua filha Emma, de 7 anos. Durante 24 horas, John e sua filha vão ao parque, tiram selfies, tomam um sorvete na volta do passeio e assistem a um filme infantil, em uma Smart TV, no conforto do lar.

O problema é que esse mero passeio fez com que diversos dados de John e sua filha fossem coletados. Ao acessar aplicativos para ver a previsão do tempo, ler as principais notícias no começo do dia e encontrar uma rota interessante, John “permitiu”, mesmo sem seu consetimento, que os apps coletassem dados de sua localização.

Coleta de dados
Dados de localização e preferências podem ser coletados com uma simples busca em um aplicativo. Foto: Apple/Divulgação

Enquanto estavam no parque, Emma, que estava jogando em seu tablet, recebeu um anúncio de uma scooter. Não, não foi um erro de algoritmo. Na verdade, a propaganda foi exibida para atingir John, com base em todos os dados já coletados como renda, cidade, e o fato de ele possuir uma criança pequena. Todas essas informações criam um perfil do usuário, possibilitando a exibição de anúncios que se encaixem no estilo de vida do indivíduo.

Inclusive, segundo o documento da Apple, todos esses dados coletados são compartilhados e monetizados, gerando cerca de US$ 227 bilhões para a indústria por trás de tudo isso.

A selfie tirada, permitiu que o app acessasse todas as fotos no dispositivo, bem como os metadados anexados. Mais informações de localização e até o valor gasto também foram coletados na compra do sorvete pelo cartão de crédito de John. Isso sem contar com as preferências recolhidas com base na seleção do filme infantil escolhido na Smart TV.

Apps em dispositivos como Smart TVs também são capazes de rastrear informações do usuário. Foto: Apple/Divulgação

Embora a história envolva personagens inexistentes, os ataques à privacidade são mais do que reais. Isso significa que em apenas 24 horas, diversos dados podem ser coletados — a Apple estima, por exemplo, que os aplicativos possuam cerca de seis rastreadores cada —, mesmo sem o consentimento de seus usuários.

Medidas adotadas pela Apple

De acordo com o documento da Apple, a história pode ser um reflexo da vida de milhões de indivíduos espalhados pelo mundo e, por isso, a companhia tem adotado algumas medidas para proteger seus usuários.

A primeira delas será o lançamento do recurso App Tracking Transparency, previsto para a próxima atualização beta no fim de março. A aplicação exigirá que os apps respeitem as permissões de usuário antes de realizarem a coleta de dados.

Símbolo da Apple com cadeado ao lado
Apple afirma que está trabalhando para diminuir coleta de dados de usuários. Foto: robert coolen/Shutterstock

Além disso, a companhia adotou novas políticas de privacidade na App Store em dezembro do ano passado, obrigando os aplicativos a listarem quais dados são coletados dos usuários que os baixaram.

O PDF afirma ainda que “a Apple acredita que a privacidade é um direito humano fundamental” e recomenda o uso de apps como Safari, Apple News, Apple Maps, além dos meios de pagamento Apple Pay e Apple Card, para melhor segurança da privacidade dos indivíduos.

Via: Apple