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De acordo com pesquisadores do Departamento de Estado dos Estados Unidos, as agências de notícias russas atualmente tentam convencer diversos países de que a Sputnik V, vacina produzida pela Rússia contra o novo coronavírus, é melhor se comparada a outros imunizantes produzidos pelo mundo.  

Observações indicam que o principal alvo dessas afirmações são países latino-americanos, como o México e Argentina, por exemplo, que fecharam acordos para adquirir e vacinar seus cidadãos com o imunizante.  

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Em sua defesa, o governo russo afirma que não tem qualquer ligação com a divulgação das informações. No entanto, diversas contas em redes sociais de veículos de comunicação russos e a embaixada do país na cidade do México compartilharam essas afirmações.  

Isso, aliado ao fato que a Sputnik V é mais barata e possui questões de transporte simplificadas – isso se comparada com suas concorrentes americanas e europeias -, podem fazer com que países a adotem sem questionar.  

No entanto, alguns pesquisadores afirmam que esses ataques às vacinas de outros países são desleais. “Quase tudo que vêm promovendo sobre a vacina é manipulado e sem contexto. Cada notícia ou questão negativa envolvendo a vacina fabricada nos Estados Unidos é amplificada, ao mesmo tempo que eles trazem uma enxurrada de matérias positivas sobre a vacina russa”, aponta um membro da Alliance for Securing Democracy, um grupo que acompanha toda e qualquer suspeita de desinformação vinda da Rússia.  

Desinformação compartilhada 

Informações compartilhadas associavam mortes às vacinas produzidas por outros países. Foto: Seda Servet/Shutterstock

De acordo com o que foi observado, as agências de notícias russas começaram a compartilhar links com notícias dizendo que as vacinas de outros países estavam ligadas a mortes após a aplicação. No entanto, omitiram os desdobramentos dessas informações, que apontaram que os imunizantes provavelmente não tinham nenhuma ligação com o ocorrido.  

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Ao que parece, as informações foram selecionadas criteriosamente. Em uma delas, por exemplo, compartilhada na página em espanhol do Russia Today, há a revelação que a Noruega investiga um acontecimento que supostamente vitimou 23 idosos imunizados com a vacina da Pfizer.  

Em outra postagem, a mesma página afirma que o mesmo imunizante foi o responsável por matar uma enfermeira – a autópsia feita revelou que a vacina não teve qualquer ligação com o fato.   

“Trata-se de um esforço coordenado que em parte é uma campanha de relações públicas e em parte desinformação. É uma das mais vastas operações que já vimos para promover uma narrativa em torno da vacina na América Latina e parece que tem tido efeito”, comenta Jaime Longoria, pesquisador da First Draft, que oferece a jornalista e pesquisadores suporte contra desinformação online.  

Membros oficiais da inteligência dos Estados Unidos informam que essa tendência, de focar em falantes da língua espanhola, começou em agosto do ano passado, quando Vladimir Putin, presidente russo, anunciou a vacina.

Via:  Estadão