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Quatro sinais podem ser vitais para o monitoramento de novas variantes do novo coronavírus: o surto de internações, o aumento de casos de reinfecção, mudanças nos sintomas da Covid-19 e alterações na faixa etária de pacientes infectados. Segundo os especialistas, ficar atento a esses indícios, pode impedir que novas cepas se espalhem.

O Reino Unido, por exemplo, em lockdown desde novembro do ano passado, observou queda gradual nas taxas de infecção. A exceção foi a região do condado de Kent, que continuou a registrar novos casos — era a variante britânica do novo coronavírus.

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Uma placa de informação pública na Station Road em Chingford, Londres, lembra as pessoas sobre a nova variante de Covid-19 e pede para ficarem seguras
Placa de informação em Londres alerta sobre a nova variante da Covid-19. Imagem: Chris Dorney/Shutterstock

Na África do Sul, uma nova onda da doença começou praticamente no mesmo período. O mesmo aconteceu em Manaus, aqui no Amazonas: um período de crise, com hospitais lotados e sem suprimento suficiente de oxigênio. Mais dois casos de novas cepas, que levaram ao crescimento de infecções e internações.

Surto de internações

Quando há surtos assim, é preciso primeiro verificar se há uma explicação, como, por exemplo, regras mais flexíveis de contato social. Se não há motivos aparentes para o crescimento de infecções, pode ser um sinal de que uma variante mais contagiosa está em circulação.

Isso ajudou os cientistas a identificarem mudanças genéticas no novo coronavírus. Quase três meses após o pico de casos de Covid-19 na África do Sul, uma das cidades do país sofreu um aumento repentino de hospitalizações causadas pela doença.

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Mutação pode reduzir a eficácia das vacinas contra a Covid-19. Imagem: Jorge hely veiga/Shutterstock

A alta taxa de infecção levou os cientistas a desconfiarem de que se tratava de uma versão mais contagiosa do novo coronavírus. Logo, eles identificaram duas mutações: a N501Y e a E484K. Enquanto a N501Y torna o microrganismo mais contagioso, a E484K evita a ação de anticorpos neutralizantes — o que pode reduzir a eficácia das vacinas e aumentar os casos de reinfecção.

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Crescimento de reinfecções por novas variantes

Se um número considerável de pessoas que já se contagiou tiver novos diagnósticos positivos da doença, isso pode ser um indício da circulação de uma variante do novo coronavírus original. Com isso, o microrganismo se torna capaz de driblar os anticorpos produzidos pelo sistema imunológico.

Os virologistas explicam que é difícil confirmar casos de reinfecção, já que é preciso que o paciente passe por dois testes de Covid-19 com resultado positivo em um intervalo de 90 dias. “Muitas vezes, a pessoa procura o sistema de saúde no fim da infecção, mas acredito que há vários casos de reinfecção. Temos alguns para serem confirmados”, diz o pesquisador Felipe Naveca, do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz).

Mudança em sintomas e faixa etária

A alteração nos sintomas ou uma elevação significativa de casos graves da doença é outro sinal do surgimento de variantes. Por enquanto, não há evidências de que as cepas encontradas em Manaus, na África do Sul e no Reino Unido provoquem sintomas diferentes ou sejam mais agressivas.

O que se sabe é que elas são mais transmissíveis, o que pode fazer o número de infectados aumentar rapidamente e levar à lotação de hospitais. Além disso, por serem capazes de driblar a ação de anticorpos, essas mutações produzem cargas virais mais altas, que têm sido relacionadas a quadros mais graves da doença.

School child wearing face mask
Número de crianças infectadas também pode indicar novas variantes do vírus. Imagem: FamVeld/Shutterstock

Outro alerta é sobre o contágio em grupos pouco atingidos pela cepa original do novo coronavírus. Se crianças e adolescentes, por exemplo, começarem a apresentar casos graves da doença, isso é um indicativo de que uma mutação aprimorou a conexão da proteína do vírus com as células de pacientes mais jovens.

O governo britânico até já afirma que há indícios de maior transmissão da variante do Reino Unido entre crianças. Isso pode ajudar a explicar a rapidez com que o vírus se espalhou por todo o território.

Como frear o surgimento de novas variantes?

Enquanto o vírus estiver circulando, o risco de surgimento de novas cepas é real, segundo Ana Paula Fernandes, pesquisadora do Centro de Tecnologia em Vacinas e Diagnóstico da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Quanto mais pessoas infectadas em uma população, maior a chance de aparecer uma variante”, destaca. “Sem medidas de contenção e sem uma ampla cobertura vacinal, pode ser que surja até uma que burle completamente os imunizantes já em uso. Isso é uma preocupação.”

Entre as recomendações dos especialistas para reduzir o contágio, estão:

  • usar máscaras do tipo N95 em ambientes fechados;
  • circular, se possível, apenas ao ar livre ou em locais ventilados;
  • abrir os vidros do carro (principalmente no táxi ou no Uber);
  • evitar frequentar bares e restaurantes;
  • usar máscaras (mesmo ao ar livre);
  • lavar as mãos;
  • usar álcool em gel.

Fonte: UOL