EnglishPortugueseSpanish

Parte dos recursos emergenciais destinados ao combate da pandemia de novo coronavírus no Brasil foram usados para produzir 4 milhões de comprimidos de cloroquina de 150mg na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Além disso, o dinheiro financiou a fabricação do antiviral tamiflu. Nenhum dos dois é eficaz na prevenção ou no tratamento da Covid-19, mas R$ 70,4 milhões foram destinados para produzi-los.

Documentos enviados pelo Ministério da Saúde (MS) ao Ministério Público Federal (MPF) em 4 de fevereiro de 2021 mostram que o medicamento era destinado ao programa nacional de controle da malária, mas foi distribuído a pacientes com Covid-19. Apesar disso, o MS nega a aquisição do fármaco para combater a infecção pelo novo coronavírus.

publicidade

Quando foi questionado pela Procuradoria no Distrito Federal, o MS relatou ao MPF que foi necessário desviar o foco do programa nacional de controle da malária com a chegada da pandemia do novo coronavírus. Atualmente, Eduardo Pazuello, ministro da Saúde, é investigado por improbidade administrativa na distribuição de cloroquina.

Pedidos e doações

O primeiro pedido para a Fiocruz é de março de 2020, para 3 milhões de comprimidos. Em dezembro de 2020, foram adicionadas 750 mil unidades de cloroquina à solicitação. Em ofício ao MPF, o MS diz que o medicamento passou a ser oferecido no SUS em 27/03/2020 para uso contra a Covid-19. O documento diz, ainda, que as distribuições foram realizadas conforme o número de casos de Covid-19 nas localidades e com base nas solicitações das secretarias estaduais e municipais de Saúde.

Segundo o MS, entre abril e julho estados e municípios fizeram diversos pedidos de cloroquina. Para atendê-los, o órgão recorreu ao Laboratório Químico Farmacêutico do Exército para obter mais comprimidos. Foram distribuídas 2.953.310 unidades fabricadas pela Fiocruz e 2.463.200 produzidas pelo laboratório do Exército. Ao todo, foram 5.416.510 comprimidos.

Hidroxicloroquina é um medicamento sem eficácia contra a covid-19
Hidroxicloroquina foi recebida dos EUA como doação. Foto: Marc Bruxelle/Shutterstock

O documento apresentado ao MPF informa, ainda, que 3.016.000 unidades de hidroxicloroquina 200 mg foram recebidas dos EUA como doação. Parte delas, 2.016.000, foram para o Ministério da Saúde e as 1 milhão restantes, para o Laboratório Químico Farmacêutico do Exército.

publicidade

Nesta quinta-feira (11), deputados do PT, do PSB e do PSOL protocolaram representação na Procuradoria-Geral da República (PGR). Os parlamentares pedem investigação do uso da Fiocruz para a produção dos medicamentos. Outra representação já havia sido apresentada por eles na terça-feira (9) com pedido de apuração da participação de cinco ministros de Estado, uma estatal, dois conselhos da área econômica, bem como do Exército e da Aeronáutica na promoção do medicamento.

Fonte: Folha de S. Paulo