EnglishPortugueseSpanish

A África do Sul descartou o uso da CoviShield, a vacina de Oxford/AstraZeneca, para a imunização de sua população. Após a divulgação de dados de um pequeno estudo que indica baixa eficácia contra a variante descoberta no país, o governo decidiu se desfazer das doses que já havia comprado.

Nesta terça-feira (16), o site Economic Times chegou a divulgar que o país estava tentando devolver suas doses da vacina de Oxford ao Serum Institute, o mesmo fabricante de vacinas indiano que forneceu ao Brasil 2 milhões de doses da vacina em janeiro. A empresa forneceu 1 milhão de doses ao país africano e tinha mais um lote de 500 mil previsto para entrega nas próximas semanas.

publicidade

No entanto, o governo sul-africano decidiu oferecer as vacinas aos outros países da União Africana. Segundo o ministro Zweli Mkhize, não haverá desperdício do dinheiro público com doses da vacina de Oxford que não serão usadas, como relata a Bloomberg.

A preocupação da África do Sul tem lógica. Os testes clínicos de vacinas realizados no país têm demonstrado consistentemente queda de eficácia contra a variante B.1.351, que se tornou predominante no território. Ao todo, a cepa já foi detectada em 37 países, segundo o boletim epidemiológico mais recente da Organização Mundial da Saúde, com suspeitas ainda não confirmadas em mais 9.

Variante sul-africana já está confirmada em 37 países, com mais 9 em processo de verificação. Imagem: Reprodução

O caso da vacina de Oxford foi ainda mais drástico. Se os imunizantes da Janssen e da Novavax demonstraram uma queda parcial de eficácia, o pequeno estudo conduzido com 2.000 jovens saudáveis demonstrou praticamente nenhuma proteção contra casos leves. O total de voluntários contaminados foi basicamente igual entre quem foi vacinado e quem não foi, indicando baixíssima eficácia da vacina de Oxford.

A preocupação da África do Sul pode ser relevante também para a campanha de vacinação brasileira, onde a vacina de Oxford também está em uso. Apesar de a variante descoberta na África ainda não ter sido detectada no Brasil, a cepa conta com uma mutação em comum com a P.1, descoberta no Amazonas. A mutação E484K é associada com o escape imunológico, que poderia favorecer a reinfecção dos curados ou uma fuga das defesas induzidas pela vacina.

publicidade