O Centro de Controle de Doenças (CDC) americano emitiu um documento de atualização das recomendações de segurança contra a Covid-19 para o retorno às aulas nos EUA. De acordo com Rochelle Walensky, diretora do órgão, as práticas são baseadas na ciência e “totalmente livres de interferência política”.

A chefe do órgão ressalta que o risco de contaminação é de fato reduzido em crianças: dos quase meio milhão de óbitos por Covid-19 no país, “apenas” 203 vítimas eram menores de 18 anos. Entretanto, isso pode levar a uma falsa sensação de segurança, já que as crianças infectadas são majoritariamente assintomáticas. Assim, embora não apresentem sintomas, elas têm o novo coronavírus, o que faz delas vetores de transmissão.

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A nova diretora do CDC, Rochelle Walensky, divulgou novas recomendações de segurança contra a Covid-19 para o eventual retorno às aulas nos Estados Unidos. Imagem: Jeffrey Andree/MGH Photography/Harvard University
Rochelle Walensky divulgou novas recomendações de segurança contra a Covid-19 para o retorno às aulas nos EUA. Imagem: Jeffrey Andree/MGH Photography/Harvard University

Por isso, as recomendações do CDC para a reabertura das escolas incluem um reforço às medidas de distanciamento, higiene e uso constante de máscaras. Veja a lista a seguir:

  • máscaras: devem ser usadas constantemente. A forma adequada de vesti-las inclui a cobertura de nariz e boca, o cuidado de não tocá-las diretamente e, em alguns casos, a necessidade de usar duas ao mesmo tempo;
  • distanciamento social: além do espaçamento mínimo entre estudantes nas salas de aula, o CDC recomenda redução na quantidade de alunos por turma, impedimento de interação com estudantes de outros grupos o tempo todo e horários de estudo mais distribuídos;
  • higiene das mãos e respiração: os alunos devem ser instruídos sobre como lavar as mãos adequadamente, receber produtos para higienização (álcool em gel e outros recursos para desinfetar ambientes e pele) e ser informados sobre como manter a si e aos outros seguros;
  • estruturas voltadas à saúde: é preciso aprimorar a ventilação de ar nas salas de aula e promover ações regulares de limpeza e desinfecção;
  • isolamento e monitoramento de contatos: medidas que reforcem o distanciamento devem ser coordenadas com as autoridades locais de saúde. Em caso de contato com infectados, a criança deve ser isolada.

O CDC ressalta que o uso de máscaras e o distanciamento social nas escolas são os componentes principais da lista de recomendações. Ambos têm eficácia de prevenção comprovada e, consequentemente, maior capacidade de redução na curva de infecções.

Com a nomeação de Rochelle para a direção do CDC por Joe Biden, o órgão já admite que possa haver mais testes contra a Covid-19 disponíveis para o âmbito escolar. Ela é médica infectologista e dirigia o departamento no Hospital Geral de Massachussets.

As aulas já voltaram nos EUA?

O retorno às atividades escolares nos EUA é determinado pelos Estados, que têm autonomia para decidir se as escolas devem ou não ser reabertas. Hoje, a maioria deles não têm ordens específicas e boa parte das unidades escolares está fechada.

Em alguns, a ordem é de fechamento total, enquanto em outros há abertura gradual ou completa. Em um mapa divulgado pela CNN, apenas Porto Rico — um território não incorporado dos EUA — tem restrições totais e não há escolas em funcionamento por lá.

Já a Virgínia Ocidental ordenou que o ensino fundamental tenha aulas pelo menos duas vezes por semana. O ensino médio pode escolher seguir ou não esse modelo. Áreas de alto risco ou alto volume de contaminação continuam isoladas e pais ou tutores legais podem escolher o modelo a distância se preferirem.

O retorno às aulas nos EUA é condicionado à decisão dos estados: enquanto boa parte ainda segue o modelo à distância, alguns já permitem a realização de aulas presenciais. Imagem: Juliya Shangarey/Shutterstock
O retorno às aulas nos EUA é decidido pelos Estados: enquanto boa parte segue o modelo a distância, alguns já permitem aulas presenciais. Imagem: Juliya Shangarey/Shutterstock

Califórnia, Novo México, Distrito de Columbia, Delaware e Havaí têm fechamento intermediário. As recomendações de segurança variam, mas praticamente todos os Estados propõem a avaliação dos pais, que são informados pelas autoridades locais de saúde sobre o volume de casos por 100 mil habitantes e quantos são de crianças. Além disso, há dados sobre se a contaminação está aumentando ou diminuindo e sobre práticas de segurança em casa e na escola.

Arkansas, Iowa, Texas e Flórida, por outro lado, estão totalmente abertos. No geral, as escolas funcionam em horário escolar, cinco dias por semana. No Iowa, porém, os pais podem escolher entre os modelos presencial, híbrido (misto entre aulas a distância e encontros presenciais) ou ensino a distância.

Os outros 41 estados não têm ordens específicas. Há reavaliações regulares e a decisão por abrir ou fechar escolas é tomada pelos distritos. No Havaí, a responsabilidade é do comitê educacional, já que o Estado concentra todas as escolas em um só bairro. Vale lembrar que todos os Estados devem seguir a cartilha de recomendações do CDC para a reabertura de escolas e para a tomada de decisões.

Fonte: Ars Technica / CNN