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Um grupo formado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FM-USP) e da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF), nos EUA, descobriu que a proteína RORB pode indicar quais neurônios são mais vulneráveis ao mal de Alzheimer. O estudo foi publicado na revista científica Nature Neuroscience no início de janeiro.

Nas doenças neurodegenerativas, as células cerebrais morrem gradativamente. No entanto, algumas delas são mais vulneráveis à doença do que outras. “Alguns desses neurônios são mais passíveis de desenvolver a doença. Chamamos isso de vulnerabilidade seletiva”, aponta Lea Grinberg, professora da FM-USP e coautora do trabalho.

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Neurônios cerebrais
Descoberta pode ser pontapé para desenvolvimento de medicamentos contra o mal de Alzheimer. Foto: ermaltahiri/Pixabay

Experimentos

Isso instigou os pesquisadores, que decidiram desvendar o padrão e a composição molecular desses neurônios para mapear o progresso do mal de Alzheimer. Para entender a vulnerabilidade seletiva, eles fizeram experimentos com a expressão de RNA, por meio da técnica single cell. “Nesse método, o tecido é dissociado em núcleos celulares, cada núcleo é colocado em uma gota de óleo com um código de barras e, em seguida, o RNA de 10 mil células é analisado. Em vez de um valor só, mede-se o valor individual de cada célula”, diz Lea.

Além disso, foi feito um teste de imuno-histoquímica multiplex para identificar as proteínas presentes nos tecidos cerebrais de pessoas que morreram com níveis progressivos de Alzheimer. Após os experimentos, os pesquisadores observaram que os neurônios que expressam a proteína RORB são os mais vulneráveis à doença. “Agora que sabemos qual é a assinatura molecular dos neurônios mais vulneráveis ao mal de Alzheimer, podemos tentar desenvolver drogas para proteção”, reforça Lea.

Se o desenvolvimento desses medicamentos der certo, eles podem ser essenciais para conter a progressão da doença. O mal de Alzheimer já atinge 1,5 milhão de pessoas em todo o Brasil, de acordo com dados oficiais do governo.

Via: Jornal da USP