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O novo coronavírus é mais nocivo do que outros vírus respiratórios e afeta o sistema imunológico humano de uma forma única. Essa foi a constatação de cientistas dos centros de pesquisa Earlham Institute e Quadram Institute, ambos na Inglaterra. Eles compararam as formas de atuação do novo coronavírus com as do H5N1 e do H7N9 (Influenza A), bem como do Mers-Cov e do Sars-Cov (responsáveis por epidemias anteriores de coronavírus).

Assim como os outros microrganismos do estudo, o novo coronavírus pode provocar um aumento na produção de citocinas. Esses componentes são responsáveis por regular a resposta imunológica do corpo humano. Uma das funções das citocinas, inclusive, é causar inflamação, para que o organismo inicie o processo de cura de lesões ou infecções.

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Apesar de ser um processo benéfico — que combate agentes externos indesejados —, a produção excessiva de citocinas leva uma resposta imune hiperativa. Essa reação é conhecida como tempestade de citocinas e pode levar o paciente à morte.

Isso porque essa tempestade de citocinas provocada por vírus respiratórios atrai muitas células inflamatórias para dentro do tecido pulmonar. Isso pode desencadear síndromes respiratórias, falência múltiplas de órgãos e morte.

Ilustração de tempestade de citocina
O novo coronavírus é um microrganismo que pode causar tempestade de citocinas. Foto: WhiteDragon/Shutterstock

Tempestade de citocinas

Pesquisadores do Korcsmáros Group, do Earlham Institute, se juntaram à virologista clínica Claire Shannon-Lowe, da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, para analisar estudos científicos e observar como o sistema imunológico humano responde a infecções pelo novo coronavírus e por outros vírus respiratórios que causam tempestade de citocinas.

“Como o início da tempestade de citocinas é um dos principais fatores por trás das taxas de mortalidade que observamos em um determinado grupo de pacientes com Covid-19, é fundamental entender por que isso acontece”, diz Marton Olbei, líder do projeto e integrante do Korcsmáros Group.

Apesar de o novo coronavírus apresentar resultados semelhantes ao H5N1, ao H7N9 (responsáveis pela Influenza A), ao Mers-Cov e ao Sars-Cov, ele foi considerado o mais perigoso entre os microrganismos analisados. Isso porque ele ataca reguladores específicos de citocinas, o que pode levar a doenças muito mais graves — não pelo vírus, mas pela reposta imunológica do organismo do paciente.

Novo coronavírus tem tendência única de frear o aumento de citocinas específicas. Foto: Earlham Institute/Divulgação

Além disso, o novo coronavírus tem uma tendência única de conter o aumento de citocinas específicas. “Para um subgrupo de pacientes infectados pelo novo coronavírus, a reação exagerada do sistema imunológico é um perigo real. Estamos descobrindo quais partes específicas do organismo reagem de forma potencialmente prejudicial a esses vírus”, explica Marton.

Os cientistas agora buscam identificar e mapear as respostas imunes do corpo humano contra o novo coronavírus. Isso deve auxiliar os especialistas clínicos a identificarem intervenções para aliviar a tempestade de citocinas que possam ser usadas em alguns casos de Covid-19.

Fonte: Medical Xpress