A Organização Mundial da Saúde (OMS) está preocupada com o avanço de novos casos e mais mortes por Covid-19 no Brasil. A entidade alerta para a necessidade de melhor articulação do governo e adoção de medidas sérias para que seja possível reverter a pandemia do novo coronavírus no país.

As declarações vêm poucos dias depois de 23 representantes estaduais anunciarem a necessidade de criação de um pacto nacional para frear a propagação do microrganismo. “O cenário brasileiro piorou desde a semana passada, com alta taxa de positivos, forte incidência de novos casos, elevação no número de mortes, rápido aumento na ocupação de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e sistema de saúde sob estresse extremo”, avalia Michael Ryan, diretor-executivo da OMS.

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Apenas no domingo (14) foram confirmados 44.435 novos casos e 1.138 mortes por Covid-19. O total chegou, assim, a 11.483.370 confirmações e 278.229 óbitos desde o início da pandemia. Segundo a entidade, a semana de 8 a 14 de março registrou os maiores números de casos e mortes confirmados por Covid-19 desde o início da pandemia.

Essa foi a quarta semana consecutiva de aumento de óbitos pela doença, com alta de 24% em relação à semana anterior. “Estou profundamente preocupado com o aumento nas mortes”, diz Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS. “Não haverá redução significativa no contágio sem medidas sociais sérias. É preciso que haja mensagem clara das autoridades sobre a gravidade da situação e a necessidade das restrições. Além disso, o governo precisa fazer cumprir as novas regras.”

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Brasil tem quarta semana consecutiva de recorde de mortes por Covid-19. País precisa adotar medidas sérias para reverter a pandemia do novo coronavírus. Créditos: Photocarioca/Shuuutterstock

Preocupação com variante P.1

O surgimento de variantes do novo coronavírus no Brasil pode se tornar um dos principais desafios para reverter a pandemia no país e no mundo. Um estudo publicado em fevereiro comprova a coinfecção por duas variantes em duas pacientes brasileiras. Isso é perigoso pois pode levar à recombinação dos genomas das cepas, o que, consequentemente, pode produzir linhagens mais agressivas ou transmissíveis.

A OMS aponta evidências de que a P.1, variante descoberta em Manaus e já identificada em 24 países, é mais contagiosa e letal que o novo coronavírus original. Junto a isso, um estudo recente aponta que essa cepa pode afetar quem já tem imunidade contra a Covid-19. “Quando a transmissão está fora de controle, cresce o número de casos, há mais doentes graves, mais hospitalizações e a pressão sobre o sistema de saúde provoca mais mortes desnecessárias”, completa Maria van Kerkhove, líder-técnica da OMS.

Apesar disso, é possível conter a propagação e o contágio pela P.1 com as medidas básicas de prevenção ao novo coronavírus, como o uso de máscaras, o distanciamento social e a higienização das mãos. A vacinação em massa é crucial para que o Brasil possa reverter a pandemia, mas, enquanto isso não acontece, o país pode tentar evitar o contágio com as medidas restritivas.

Via: Folha de S.Paulo