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O Centro de Pesquisa de Assuntos Públicos (Norc) da Universidade de Chicago divulgou um estudo que mostra um resultado muito triste da pandemia: 1 em cada 5 americanos perderam um parente ou amigo próximo com a Covid-19. Apesar disso, nos EUA, assim como no Brasil, a preocupação com o vírus caiu a um dos menores percentuais desde o fim do ano passado.
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E quem sofre com a perda de um ente querido vê seu luto misturado à frustração com a falta de empatia. “Não tivemos chance de sofrer. É como se tivesse acontecido ontem”, diz Nettie Parks, de Volusia County, na Flórida. Ela perdeu o único irmão para a doença em abril do ano passado. Em razão das restrições, Nettie e suas cinco irmãs ainda não fizeram viagens ou mesmo um velório.

Ela tem 60 anos e se aposentou no ano passado. Um dos motivos foi a exposição ao vírus, já que ela fazia atendimento ao cliente. Agora, Nettie observa com pavor a diminuição das restrições em cidades e estados americanos.
Ela, entretanto, é parte de uma minoria: apenas 3 em cada 10 americanos estão muito preocupados em serem infectados, segundo a pesquisa. “Eles estão baixando a guarda e não deveriam. Não acabou”, lembra ela. Nos EUA, já são mais de 527 mil mortos. Aqui no Brasil, nesta semana devemos chegar à marca de 300 mil.
Medo é mais evidente em quem perde alguém
Segundo K. Luan Phan, chefe de psiquiatria do Wexner Medical Center da Ohio State University, é difícil as pessoas conceituarem o perigo enquanto não é com elas mesmas ou com alguém próximo. “Esse medo é mais evidente em quem perde alguém. Eles ficam mais cautelosos em voltar ao trabalho ou à escola”, afirma. Muito estão cansados de confinamento, uso de máscara e distanciamento social. “Os medos tendem a se habituar.”
As comunidades de afro-americanos e hispânicos têm sido as mais atingidas pelo novo coronavírus nos EUA. A pesquisa descobriu que cerca de 30% deles têm um parente ou amigo próximo que morreu de Covid-19 em comparação com 15% dos brancos.

Embora as vacinas sinalizem a proximidade do fim da pandemia, a pesquisa descobriu que 1 em cada 3 americanos não pretende se imunizar. Os mais relutantes são os jovens, os indivíduos sem diploma universitário e os republicanos. Quem foi mais atingido também está com mais dificuldade para se vacinar: 16% dos negros e 15% dos hispânicos dizem que já receberam a primeira dose contra 26% dos brancos.
Via: AP News