Em uma conversa com investidores em potencial, a WeWork divulgou um documento onde relata prejuízo de US$ 3,2 bilhões (R$ 17,85 bilhões na conversão direta) em 2020.

Os documentos foram obtidos pelo jornal Financial Times e detalham também o que a empresa chama de “Project Windmill” (“Moinho de Vento”, na tradução literal), relacionado a uma nova tentativa de abertura de capital por meio de fusão.

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Segundo a publicação, a rede de coworking está buscando investidores para uma possível fusão com outra companhia, a fim de gerar valorização de seu capital. A ideia é que a oferta pública inicial (IPO) buscada pela WeWork seja de US$ 9 bilhões.

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Imagem mostra escritório da WeWork em Las Vegas
WeWork pretende buscar nova oferta pública inicial após declarar prejuízo bilionário a investidores. Imagem: chara_stagram/Shutterstock

O documento também revela outros dados interessantes. Em 2019, a WeWork mostrava gastos de capital na casa dos US$ 2,2 bilhões, reduzindo para US$ 49 milhões (R$ 273,35 milhões) em 2020. A empresa ainda vem lidando com as dificuldades geradas pela primeira e frustrada tentativa de IPO, em 2019, bem como a demissão de seu co-fundador e ex-CEO, Adam Newman, meses antes, envolto em diversas controvérsias.

Diante do anúncio do primeiro IPO, a WeWork caiu no escrutínio de investidores e líderes financeiros, que acusaram a Softbank, dona da empresa, de exagerar sua real valoração de mercado para obter mais dinheiro durante a abertura. Em meio a todas as turbulências, a empresa decidiu cancelar a oferta e voltar a analisar outros investimentos. Segundo diversos relatos na imprensa, a Softbank deu um ultimato: a WeWork deveria gerar algum lucro em 2021.

Tal ano chegou, e agora a WeWork busca uma nova opção de IPO. A empresa está conversando com a BowX Acquisition Corp para conseguir parte do dinheiro necessário para um segundo IPO. A BowX conta com o ex-jogador profissional de basquete Shaquille O’Neal como um de seus conselheiros de finanças, além de ser liderada por Vivek Ranadivé, fundador e ex-diretor do grupo Tibco de softwares, bem como co-proprietário do time de basquete Sacramento Kings.

Segundo a documentação, a WeWork quer novamente se posicionar como uma “empresa de alta tecnologia feita para propriedades tecnológicas”, descrevendo seu modelo de negócios como “uma plataforma leve de gestão e cuidado na orquestração de espaços flexíveis”. É um discurso similar ao empregado pela companhia no ano retrasado.

WeWork no Brasil

Apesar de 2020 ter sido marcado pela pandemia, os problemas da WeWork datam de bem antes disso. Ainda assim, o “ano da Covid-19” teve um crescimento notável no mercado nacional de coworking. Segundo Fernando Botura, CEO da GoWork, a empresa cresceu “10 anos em 12 meses”.

Nesse mesmo otimismo, o grupo IWG – dono de marcas como Regus e Spaces – assumiu um prédio da WeWork em Ipanema, no Rio de Janeiro, também de olho no potencial do mercado nacional.

A WeWork, apesar de todas as dificuldades, parece seguir com a mesma expectativa de crescimento por aqui. “Do ponto de vista de clientes, nada mudou. As pessoas continuam interessadas em nossos produtos. Mas internamente, nós aproveitamos essa chance para atrair alguns novos executivos que trouxeram boas experiências para a empresa”, comentou Lucas Mendes, diretor geral das operações brasileiras da WeWork.

Apesar da pandemia, o mercado nacional de coworking cresceu. Imagem: MikeDotta/Shutterstock

A empresa segue com 32 unidades espalhadas em quatro cidades brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. Entretanto, Mendes admite que as práticas de quarentena e distanciamento social fizeram a empresa se adaptar à nova realidade.

Sem detalhar números localizados, o executivo disse que a pandemia forçou a WeWork a adiantar planos de reestruturação que estavam, até então, somente no papel, no intuito de gerar reservas de capital suficientes para que a operação local volte a crescer de forma autônoma.

Parte disso vem do desejo de incluir novos produtos, como aluguel de espaços por hora para clientes sem contrato – uma modalidade que ainda não chegou aqui, mas está em pleno funcionamento nos EUA.

Além disso, uma reestruturação de pessoal se fez necessária, com trocas de executivos em posições de liderança, remanejamentos e cortes.

“O trabalho não será mais como era antes. As pessoas gostaram dessa flexibilidade, de trabalhar em lugares diferentes ou mais perto de casa. Por isso, acredito que o setor de escritórios compartilhados será um dos primeiros a ter uma retomada após a pandemia”, finalizou.

Fonte: Financial Times / Época Negócios / Exame