O Brasil está no pior momento da pandemia de Covid-19. Até quarta-feira (24), o Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass) contabilizava 300.675 brasileiros mortos pela doença e 12.219.433 casos confirmados. Nesse cenário, e com o sistema de saúde sobrecarregado na maioria dos Estados, alguns governantes têm tomado medidas urgentes para instalar mais leitos nos hospitais, mas os especialistas defendem que somente o distanciamento social pode frear a pandemia.

Em São Paulo, o governador João Dória (PSDB) anunciou a instalação de 12 novos hospitais de campanha com 193 novos leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) e 215 novas vagas de enfermaria. A ideia é que as unidades entrem em funcionamento até o fim de março e sejam anexadas a estruturas já existentes para otimizar recursos humanos e insumos.

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Fase emergencial em São Paulo
São Paulo enfrenta a fase mais restritiva de circulação de pessoas. Foto: Nelson Antoine/Shutterstock

Novas vagas para os pacientes ajudariam a melhorar e ampliar o atendimento nos hospitais, mas é preciso lembrar de aspectos relacionados a limpeza, higienização, cozinha, vigilância e farmácia desses locais. Para Gonzalo Vecina Neto, Gonzalo Vecina Neto, que é professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, o mais adequado para enfrentar a falta de leitos é diminuir a quantidade de contaminados. “Como medida emergencial, mais leitos são desejáveis. É melhor fazer isso do que fazer uma loteria na porta das UTIs dos hospitais”, afirma.

Outra preocupação está relacionada à quantidade de profissionais de saúde treinados – o cuidado de um paciente grave na UTI depende, além dos aparelhos, de uma equipe capacitada, e não há tempo hábil para treiná-los. “Montar equipes tem sido uma dificuldade”, diz o médico sanitarista Claudio Maierovitch, da Fiocruz Brasília.

Vacinação precisa ser acelerada

Para os especialistas em gestão de saúde, UTIs e saúde pública, as intenções são positivas, mas um distanciamento social eficiente e rígido é crucial para diminuir a curva de internações e, consequentemente, de mortes no Brasil. Sem a redução da circulação do vírus e do surgimento de novas infecções, o colapso total do sistema de saúde é dado como certo.

A saída para frear a pandemia passa, ainda, pela aceleração da vacinação da população. E os especialistas alertam: se continuarmos no ritmo atual, é provável que o país entre em 2022 sem atingir a imunidade de rebanho.

Fonte: Folha de São Paulo