Caso escolha carregar um iPhone ou um dispositivo Android no bolso, vale considerar que ambos enviam seus dados à Apple e ao Google. Pensando nisso, o pesquisador Douglas Leith, da Trinity College, na Irlanda, fez uma comparação que comprovou essa prática, que ocorre mesmo com os dispositivos inativos e em tarefas simples, como inserir um cartão SIM ou simplesmente navegar nas configurações do aparelho. O software do Google foi destaque por coletar 20 vezes mais informações do que o sistema da Maçã.

O estudo estimou a quantidade de dados compartilhados pelos dispositivos em alguns cenários:

publicidade
  • A primeira inicialização após uma redefinição com as configurações de fábrica
  • Quando um chip SIM é inserido ou removido
  • Com o aparelho está ocioso
  • Ao acessar o menu de configurações
  • Quando a localização é habilitada ou desabilitada
  • E, por fim, quando o usuário faz o login com suas credenciais em sua respectiva loja de aplicativos
Google Pixel 3
Android coleta e envia mais dados ao Google do que a plataforma móvel da Apple. Imagem: Bluebox Photography/Shutterstock

Na reinicialização de um celular Android, Leith indica que o sistema envia 1 MB de dados ao Google. Em contrapartida, o iOS envia à Apple apenas 42 KB ao reiniciar um iPhone. Quando ocioso, o Android segue enviando 1 MB de informações aos servidores do Google a cada 12 horas. Em comparação, o iOS envia, no mesmo período, apenas 52 KB à Apple.

Somente nos EUA, a pesquisa revela que o Android coleta a cada 12 horas o total de 1,3 TB de dados. Já o iOS, no mesmo período, armazena 5,8 GB.

Leith concluiu que o resultado do seu estudo é preocupante, já que esses arquivos podem estar ligados ao nome do usuário, endereço de e-mail e até aos cartões de crédito atrelados ao aparelho. O pesquisador ainda diz que existem “poucas opções realistas” para evitar o problema atualmente.

As medições foram feitas em um smartphone Google Pixel 2 rodando Android 10 (com o Google Play Services habilitado) e um iPhone 8 com jailbreak rodando iOS 13.6.1.

Leia mais:

Resposta do Google e da Apple

Fachada da Apple
Apple reforça que protege a privacidade de seus usuários. Imagem: 360b/Shutterstock

O Google contestou Leith, dizendo que sua pesquisa se baseia em métodos falhos. Em declaração ao portal Ars Technica, um porta-voz da companhia de Mountain View discorda da afirmação de que um dispositivo Android compartilha 20 vezes mais dados que um iPhone: “Essas descobertas estão erradas, compartilhamos nossas preocupações metodológicas com o pesquisador”. A empresa também afirmou que a coleta de dados é praticamente inevitável em qualquer dispositivo conectado à internet.

A gigante das buscas declarou que os carros modernos, por exemplo, também enviam dados sobre seus componentes e status de segurança regularmente às montadoras, e os celulares funcionam da mesma maneira. Esse envio constante de informações, segundo a companhia, garante que o Android esteja atualizado, seguro e que seus serviços funcionem de forma eficiente.

Por fim, um porta-voz da Apple também falou sobre o estudo, afirmando que a empresa de Cupertino fornece transparência e controle sobre as informações pessoais que coleta. A Maçã conclui dizendo que oferece proteções de privacidade que impedem a companhia de rastrear seus usuários.

Via: Ars Technica