O anime ‘Dragon Ball’ é um clássico para quem cresceu entre os anos 1990 e 2000 no mundo todo. Incluindo em Valencia, província da Espanha. Mas, o pedido de retorno à grade de programação de um canal de televisão local foi rejeitado. A emissora À Punt afirma que o desenho não se enquadra no seu código de valores.

Chamado de ‘Bola de drac’ na língua valenciana, ou ‘Bola de dragón’ em castelhano, o desenho baseado na mangá de Akira Toriyama foi sucesso na televisão autônoma da região. Segundo o jornal espanhol ‘El País’, outro motivo para o hit da animação em Valencia foi a dublagem, levando ‘Dragon Ball’ a se tornar um instrumento de normalização da língua nos meios de comunicação.

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Pela nostalgia, um grupo de fãs chamados “Bola del Drac en Valencià”, que conta com mais de 10 mil pessoas, passou 15 anos pedindo a reexibição do desenho. Até a deputada regional Mònica Álvaro questionou sobre a possibilidade de recolocação do desenho. Mas não foram atendidos.

A justificativa da emissora chegou recentemente. No dia 22 de março, o diretor geral da À Punt, Alfred Costa, explicou a impossibilidade. “Pela legislação de gênero, o código de valores de conteúdos infantis e o preço – que preferimos destinar a empresas valencianas que geram emprego – neste momento, é difícil que possamos colocá-lo na grade”, disse.

Captura de cena do anime Dragon Ball em que o pequeno Goku está deitado em cima de Bulma
A sexualização de personagens femininas como Bulma foi um dos empecilhos. Imagem: Dragon Ball/Reprodução

O código atual da emissora é bastante restritivo, especialmente quando se trata de conteúdo para crianças (o canal foi ainda o primeiro na Espanha a proibir publicidade de apostas e jogos). Críticas antigas voltaram à tona, como o tratamento das personagens femininas Bulma e Chi-Chi, que foram sexualizadas.

O canal chegou ainda a estudar a possibilidade de exibir o desenho em um horário mais tarde. Só que não foi só pelo código de valores que o fez perder espaço na programação. O alto custo de ‘Dragon Ball’ também dificultou a retransmissão. Em resumo, À Punt prefere alocar o dinheiro para empresas locais.

Via: El País