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Alta de mortes por Covid-19 pode resultar em uma mudança demográfica da população no Brasil por muitos anos. Isso porque o número de óbitos está se aproximando da taxa de nascimentos em pelo menos sete estados, incluindo São Paulo, o mais populoso.

Mas, segundo uma reportagem da Reuters, o maior exemplo desse quadro é o Rio Grande do Sul. O estado brasileiro, que foi considerado um exemplo no combate ao coronavírus em 2020, agora sofre com o colapso do sistema de saúde. Em março, o estado teve 15.736 mortes registradas, mas que o dobro da média do mês no ano passado, e contou com 11.921 nascimentos, de acordo com o Portal da Transparência.

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Esse é o único estado em que o número de óbitos superou os nascimentos. Mas em São Paulo, Rio de Janeiro e outras regiões, os dados estão se aproximando. Um dos motivos para a situação catastrófica no RS é o fato do local ter um número de idosos maior do que a média nacional.

“Em abril será ainda pior. O Brasil pode ter o primeiro momento da sua história em que os óbitos superarão os nascimentos, o que mostraria o impacto da pandemia já estrutural e demográfico da Covid-19 no país”, disse o neurocientista Miguel Nicolelis à Reuters.

Os números podem ter um impacto significativo na expectativa de vida dos brasileiros e na formação demográfica do país. No primeiro trimestre de 2021 houve uma morte para cada 1,47 registro nascimento. No mesmo período de 2020 esse dado era bem maior com 2,10 nascimentos para cada óbito.

Número de óbitos X nascimentos

“Estamos com uma elevada mortalidade entre idosos. Só isso já dá impacto enorme da estrutura etária do país. A gente viu nos últimos anos aumento do envelhecimento da população e um aumento da expectativa de vida a partir dos 60 anos. Foi um ganho da sociedade. Com essa maior mortalidade entre idosos vamos ter uma redução da expectativa de vida a partir dos 60 anos”, explicou Ana Maria Nogales Vasconcelos, da Universidade de Brasília (UnB).

Uma outra mudança que teve em 2021 foi o surgimento da variante P.1, que aumentou o número de infectados mais jovens. Os especialistas acreditam que essa variante seja responsável pelo aumento dos casos no Brasil e pelo fato do país ter se tornado o epicentro da doença no mundo.

“Pelas características dessa variante, que é mais contagiosa e agrava mais rápido, mas também pelo descontrole da pandemia, a contaminação dos mais jovens, a população economicamente ativa, aumentou”, contou o epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas. “Vamos ter um impacto na expectativa de vida e também um impacto econômico que vai se levar anos e anos e anos para recuperar”, completou ainda o especialista.

Via Reuters

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