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O câncer é a segunda doença que mais mata no Brasil. É comum, portanto, que médicos e cientistas trabalhem incansavelmente no desenvolvimento de melhorias para seu tratamento. Em homenagem ao Dia Mundial de Combate ao Câncer, celebrado nesta quinta-feira (8), o Olhar Digital decidiu descobrir o que há de mais moderno no tratamento e na prevenção da enfermidade.

Tratamento personalizado

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Um dos principais fatores que aumentam as possibilidades do sucesso de um tratamento é a sua personalização. Atualmente, é possível analisar um tumor de forma muito mais profunda e criar, assim, um modelo de tratamento específico para cada paciente.

O Dr. Auro del Giglio, coordenador do setor de Oncologia Clínica do HCor, detalhou os avanços tecnológicos para o Olhar Digital. “Está se desvendando paulatinamente ao longo do tempo uma série de mecanismos novos da era das moléculas que está nos permitindo particularizar o tipo de tumor.”

Com novos algoritmos de análise, os testes genéticos que identificam predisposição a um tipo de câncer possuem um resultado muito mais completo. Isso fornece ao médico a possibilidade de implementar um tratamento mais eficiente, mais rápido e com mais tecnologia contra a doença.

Historicamente, os tumores têm sido estudados como uma mistura de todas as células presentes, muitas das quais não são cancerosas. Por meio do sequenciamento de RNA, cientistas puderam analisar tumores em uma resolução muito maior. A tecnologia também torna, cada vez mais fácil, diferenciar as células com câncer das saudáveis.

“Hoje você pode pegar um paciente com câncer no pulmão e descobrir que ele tem uma alteração genética que interfere naquele determinado gene, e que esse câncer é controlado com uma medicação oral por anos, aumentando seu tempo de vida”, explicou del Giglio.

De acordo com a médica radiologista da Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI), Dra. Vivian Milani, os avanços também são muito presentes no tratamento do câncer de mama. “Muita gente acha que o histórico familiar é o fator mais importante para o câncer de mama, mas graças às análises recentes, descobrimos que esse fator está associado a apenas 8 a 10% dos casos”, contou.

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As medicações também avançaram e hoje conseguem combater o câncer de formam mais efetiva. Antigamente, o tratamento se resumia praticamente a cirurgias, quimioterapia e radioterapia. “Antes, as mulheres quando ouviam a palavra câncer de mama já se assustavam, pois pensavam direto na quimioterapia, mas hoje existem tratamentos que dispensam o procedimento para alguns tipos de tumor”, explicou a radiologista.

Del Giglio reforçou, também, que a própria quimioterapia “teve uma evolução, com as novas drogas com menos efeitos colaterais“. O tratamento atual consegue funcionar por meio da “terapia alvo”, agindo de forma mais específica nas células doentes e reduzindo os efeitos, como náuseas e quedas de cabelo.

Mamografia é exemplo na detecção de tumores

Na última década, a mamografia digital se tornou dominante na detecção do quadro. “A mamografia digital é um raio-x da mama, assim como a convencional, a diferença é que você consegue ir acompanhando na hora, sem precisar imprimir a imagem”, disse a especialista.

combate ao câncer
Imagem: pixelfit (iStock)

O diagnóstico computadorizado também ajuda a mostrar imagens mais detalhadas e o resultado pode sair mais rápido. “Hoje em dia as mulheres preferem bem mais esse modelo. Quando elas ficam sabendo que há a possibilidade de usá-lo, logo pedem por ele. Até cinco ou seis anos atrás a gente ainda via alguns lugares que usavam a mamografia tradicional, mas hoje é tudo digital praticamente”, explicou a Dra. Milani.

A mamografia como exame de prevenção também ajudou a aumentar o número de pacientes curadas. As mulheres que participaram do rastreamento mamográfico tiveram uma redução do risco de morte de 60%, segundo um estudo sueco divulgado pela Sociedade Brasileira de Mastologia. “A procura por exames de prevenção aumentou à medida que as informações ficaram mais disponíveis e as mulheres entenderam sua importância”, ressaltou a especialista.

Além da mamografia, que é a principal forma de detecção, ainda podem ser usados o ultrassom e a ressonância magnética, dependendo do quadro do paciente. Na maioria das situações, no entanto, a mamografia é suficiente.

A evolução da tecnologia no combate ao câncer também está presente na radiologia com o PET Scan, que permite o diagnóstico por imagens moleculares e reduz as chances de metástases. O modelo usa uma droga radioativa, chamada de traçador, que consegue emitir sinais captados pela máquina. Os novos equipamentos ainda possibilitam que o tratamento seja feito em uma zona mais específica, deixando órgãos em que o tumor não se manifesta de lado.

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