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Cansadas do assédio sexual rotineiro nas escolas, adolescentes encontraram no TikTok um espaço seguro para debater o tema. A partir disso, elas decidiram criar o movimento #MeToo (“Eu também”, em português).

“Esse é o ‘abaixe o dedo’: edição sobre assédio sexual”: assim começa o áudio, dublado mais de 10 mil vezes no aplicativo, que as garotas usam como trilha sonora de vídeos para relatarem assédios sofridos por elas. Muitas usam a legenda “Eu pensando que fazia parte dos 3%”, referindo-se à pesquisa do YouGov que aponta que 97% das jovens entrevistadas no Reino Unido já foram assediadas sexualmente.

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O coro de vozes on-line levou o Departamento de Educação a anunciar a abertura de um inquérito urgente sobre abuso sexual nas escolas. A conversa se expandiu para além do Reino Unido, e pessoas do mundo todo passaram a oferecer testemunhos.

São mais de 10 mil falas anônimas publicadas pelo Everyone’s Invited, site criado por Soma Sara, de 22 anos, estudante universitária de Londres. Seu objetivo é expor a cultura do estupro nos colégios britânicos. Na Flórida (EUA), Emilee Grant, de 19 anos, é a voz do áudio original do TikTok sobre assédio sexual, visto mais de 10 milhões de vezes. Ela deseja alertar mulheres que, muitas vezes, não fazem ideia de que foram (ou são) vítimas.

Adolescentes relatam assédio sexual nas escolas. Imagem: Dragana Gordic/ Shutterstock
Adolescentes relatam assédio sexual nas escolas. Imagem: Shutterstock

O que estas duas adolescentes, e muitas outras, têm tentado transmitir nas redes é que assédio, agressão e estupro não são incidentes que ocorrem isoladamente. Eles são parte de um padrão de comportamento que existe dentro de uma cultura de misoginia. As jovens levantam, também, a questão de que coisas “aparentemente pequenas” podem ter impacto duradouro na formação das mulheres.

“Comportamentos aparentemente menos graves têm efeito traumatizante e assustador “, garantiu Sara. “O impacto a longo prazo de traumas reprimidos se manifesta em problemas de saúde mental“, finalizou.

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Grande parte destas garotas procuram segurança na internet, uma vez que não conseguem encontrá-la onde esperam: na escola. No TikTok, americanos começaram a debater um fenômeno que ocorre nos corredores do ensino médio do país, conhecido como “sexta-feira do tapa”. Neste dia, meninos tentam bater nas nádegas das colegas. A transição para a fase escolar, assim, acaba tornando-se um choque cultural para muitas adolescentes.

Em seus vídeos-relatos, as meninas também expressam frustrações com professores que perpetuam a ideia de que o bullying sexual, realizado por meio dos tapas, é apenas “coisa de menino”. E o pior: algumas são consideradas encrenqueiras quando questionam o costume.

Se engana, porém, quem acredita que essa cultura é algo que surgiu recentemente. Em 1993, Nan Stein, pesquisadora do Wellesley Centers for Women, já descrevia o assédio sexual como “comum” e “parte da vida escolar”. Quase 30 anos depois, ela ainda trabalha para tornar as escolas mais seguras para as meninas.

“Se tolerarmos estes comportamentos, existe maior chance deles se transformarem em algo mais extremo”, explicou. A Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade contra Crianças, com sede no Reino Unido, informa que um terço dos crimes sexuais contra crianças são cometidos por outras crianças, e por isso lançou uma linha de ajuda dedicada às vítimas de violência sexual em instituições de ensino. O secretário de Educação britânico, Gavin Williamson, afirmou estar determinado em garantir que recursos e processos entrem em vigor no sistema educacional para apoiar quem sofre abuso.

Fonte: CNet

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