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Estudos afirmam que existem anticorpos no leite das mães vacinadas contra a Covid-19. Por conta disso, mulheres do mundo todo estão tentando reiniciar os filhos no processo de amamentação e algumas, ainda, chegam a compartilhar o leite com os bebês de amigos e parentes.

Courtney Lynn Koltes, moradora da Califórnia (Estados Unidos), é uma destas mães. Depois de receber a primeira dose da vacina Pfizer-BioNTech, ela usou uma bomba de mama para alimentar a filha, que já tinha parado de mamar há dois meses. O processo de relactação não é simples, mas como a bebê de quatro meses não é elegível para a vacinação, Courtney resolveu tentar. A americana acredita que “vale qualquer esforço para tentar proteger a menina”.

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Criança recém-nascida deitada na cama
Recém-nascidos ainda não estão sendo contemplados na vacinação contra a Covid-19.
Crédito: Shutterstock

Algumas mães, inclusive, estão aceitando a doação de leite para seus filhos. É o caso de Destiny Burgess. Quando seus gêmeos nasceram prematuramente e uma amiga vacinada se ofereceu para compartilhar leite com eles, ela não hesitou em aceitar. “Sinto que tenho um superpoder”, diz Olivia de Soria, mãe doadora de leite materno. Além de alimentar o filho de quatro meses e dar seu leite à filha de três anos, Olivia agora o compartilha com outras cinco famílias. “Eles não conseguiram tomar a vacina ainda, então, fazer isso me dá paz de espírito”, afirmou.

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Por outro lado, fóruns de paternidade e amamentação estão repletos de preocupação sobre o perigo destes leites. Não apenas os céticos em relação à vacina têm levantado esta questão, mas também pediatras e administradores de imunizantes. Eles afirmam que as pesquisas são infundadas, uma vez que mães lactantes não foram incluídas nos ensaios vacinais.

O que mostram as pesquisas

Segundo um estudo feito por seis pesquisadores, as mães recém-vacinadas têm razão em sentir o poder de proteger seus filhos com anticorpos na amamentação. As pesquisas mostram que os anticorpos gerados após a vacina podem ser passados pelo leite. Ainda não está claro, porém, como exatamente eles protegem os fetos contra o coronavírus.

Nos primeiros nove meses da pandemia, cerca de 116 milhões de bebês nasceram em todo o mundo, segundo a Unicef, e os estudiosos levantam um outro ponto: o vírus poderia ser transmitido pelo leite materno? Vários pesquisadores testaram o leite e ainda não encontraram vestígios da Covid-19, apenas de anticorpos.

coronavírus
Pesquisam indicam que o coronavírus não é transmitido na amamentação.
Crédito: Shutterstock

Em um grupo no Facebook, Rebecca Powell, imunologista de leite humano da Escola de Medicina Icahn do Monte Sinai, em Manhattan (EUA), encontrou centenas de médicos e enfermeiros dispostos a compartilhar periodicamente seu leite materno. Em seu estudo mais recente, ela analisou o leite de seis mulheres que receberam a vacina Pfizer-BioNTech e quatro que receberam a Moderna. A especialista encontrou um número significativo do anticorpo IgG em todos eles. Outros pesquisadores afirmam ter resultados semelhantes em seus experimentos. Kathryn Gray, especialista em medicina fetal materna do Brigham and Women’s Hospital, em Boston (EUA), também acredita que “existem razões para se animar com a notícia” depois de realizar pesquisas semelhantes.

Outro estudo, realizado por Yariv Wine, imunologista da Universidade de Tel Aviv (Israel), mostrou que o leite materno tem capacidade de prevenir a disseminação viral. Além disso, ele também bloqueia a capacidade do vírus de infectar células hospedeiras que resultam na doença. O autor disse que a pesquisa ainda é prematura para que as mães vacinadas que ainda amamentam ajam como se os bebês não possam ser infectados.

O que todos os pesquisadores concordam, contudo, é que um bebê que consome leite materno durante o dia todo fica mais propenso a estar protegido do que aquele que o recebe ocasionalmente. Os benefícios protetores do leite materno funcionam como uma pílula, que deve ser tomada todos os dias, e não como uma dose de medicação mais duradoura.

De acordo com Antti Seppo, pesquisadora de leite materno do Centro Médico da Universidade de Rochester, assim que o aleitamento materno é interrompido, a proteção acaba. A defesa de curto prazo, conhecida como “proteção passiva”, pode durar apenas algumas horas ou dias depois do consumo, o que significa que não é a mesma coisa que vacinar um bebê.

Fonte: The New York Times

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