As espaçonaves Voyager 1 e Voyager 2, lançadas na década de 70, foram os primeiros objetos lançados pelo homem a deixar nosso sistema solar e alcançar o limite da heliosfera, a bolha de plasma que o envolve e é afetada pelo vento solar.

As Voyagers descobriram os limites da bolha, mas deixaram os cientistas com muitas dúvidas sobre como nosso Sol interage com o meio interestelar local. Seus instrumentos fornecem dados limitados, deixando lacunas críticas em nosso entendimento desta região.

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A NASA e seus parceiros estão agora planejando uma nova espaçonave, atualmente chamada de Interstellar Probe (Sonda Interestelar), para viajar muito mais fundo no espaço, a 1.000 unidades astronômicas (UA, equivalente a 1.000 vezes a distância da Terra ao Sol) de nossa estrela, com a esperança de aprender mais sobre como nossa heliosfera se formou e como ela evolui.

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“A Sonda Interestelar irá para o espaço interestelar local desconhecido, onde a humanidade nunca chegou antes”, diz Elena Provornikova, chefe de heliofísica da Sonda Interestelar do Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins (APL) em Maryland, nos EUA. “Pela primeira vez, tiraremos uma foto de nossa vasta heliosfera de fora para ver como é a casa do nosso sistema solar.”

A equipe liderada pelo APL, que envolve cerca de 500 cientistas, engenheiros e entusiastas, formais e informais, de todo o mundo, tem estudado quais tipos de investigações a missão deve planejar. “Existem oportunidades científicas verdadeiramente notáveis ​​que abrangem heliofísica, ciência planetária e astrofísica”, diz Provornikova.

Alguns mistérios que a equipe espera resolver com a missão incluem: como o plasma do sol interage com o gás interestelar para criar nossa heliosfera; o que está além de nossa heliosfera; e como o que nossa heliosfera se parece.

A missão planeja fazer “imagens” de nossa heliosfera usando átomos energéticos neutros e talvez até “observar a luz de fundo extragaláctica dos primeiros tempos da formação da Via Láctea, algo que não pode ser visto da Terra”, diz Provornikova.

Um diagrama do sistema solar, mostrando a região conhecida como Heliopausa (no meio). Imagem: EGU

Os cientistas também esperam aprender mais sobre como nosso Sol interage com nossa galáxia, o que pode então oferecer pistas sobre como outras estrelas na galáxia interagem com suas vizinhanças interestelares, diz ela.

A heliosfera também é importante porque protege nosso sistema solar dos raios cósmicos galácticos de alta energia. O Sol está viajando em nossa galáxia, passando por diferentes regiões do espaço interestelar, diz Provornikova.

Atualmente ele está no que é chamado de nuvem interestelar local, mas pesquisas recentes sugerem que pode estar se movendo em direção à borda da nuvem, após o que entraria na próxima região do espaço interestelar – sobre a qual nada sabemos. Essa mudança pode fazer nossa heliosfera ficar maior ou menor, ou alterar a quantidade de raios cósmicos galácticos que entram e contribuem para o nível de radiação de fundo na Terra, diz ela.

Este é o último ano de um “estudo de conceito pragmático” de quatro anos, no qual a equipe têm investigado que estudos poderiam ser realizados com essa missão. No final do ano a equipe entregará um relatório à NASA que descreve o potencial científico, exemplos de cargas úteis de instrumentos e exemplos de espaçonaves e projetos de trajetórias para a missão. “Nossa abordagem é definir o menu do que pode ser feito em uma missão espacial como essa”, diz Provornikova.

A missão poderia ser lançada no início de 2030 e levaria cerca de 15 anos para atingir o limite da heliosfera – um ritmo rápido em comparação com as Voyagers, que levaram 35 anos para chegar lá. Atualmente a missão está planejada para durar 50 anos ou mais.

Fonte: European Geosciences Union