Estudo publicado no Fórum Internacional de Alergia e Rinologia desaconselha o uso de esteroides para tratar a perda da capacidade de sentir cheiros ocasionada pela Covid-19. Um grupo de especialistas em olfato sugere que a recuperação do sentido se dê por meio de treinamento. Essa medida evitaria a ocorrência de efeitos colaterais indesejados, como retenção de líquidos, hipertensão e alterações de humor.

Especialistas recomendam cautela com o uso de corticosteróides para tratamento de perda olfativa ocasionada pela Covid-19. / Shidlovski – Shutterstock

A recomendação é pautada em uma revisão sistemática que concluiu que os corticosteroides, apesar de comumente prescritos para pessoas com nariz congestionado ou inflamado, nem sempre funcionariam em casos de sequelas da Covid-19. Isso porque não se sabe ainda o que realmente justifica a disfunção olfatória nesses pacientes.

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Como realizar o treinamento olfativo

Se o indivíduo tentar perceber pelo menos quatro aromas diferentes, duas vezes ao dia, “isso pode ajudá-lo a se recuperar mais plenamente”, acreditam os pesquisadores. Tradicionalmente falando, quatro odores são os geralmente utilizados no processo: cravo, rosa, limão e eucalipto. Mas, de fato, isso não importa. Pode até ser benéfico focar em cheiros familiares, como perfumes, cascas de limão, baunilha ou café moído, e refletir sobre as memórias enquanto inala os odores. Para obter melhores resultados, deve-se trocar os quatro cheiros a cada 12 semanas.

Geralmente, quatro odores são os mais utilizados no processo de treinamento olfativo: cravo (foto), rosa, limão e eucalipto. / AmyLv – Shutterstock

O treinamento do olfato é uma maneira baseada em evidências de fazer seu farejador voltar a funcionar após uma infecção viral. E tem sido usado com grande sucesso para ajudar a tratar a perda de cheiro de outras infecções. Os médicos também salientam que, além de ser livre de efeitos colaterais, o treinamento olfativo é de baixíssimo custo.

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Outros estudos também indicam a mesma coisa

No ano passado, realizou-se uma comparação sistemática de tratamentos potenciais para a perda do olfato pós-viral. Fizeram parte da análise comparativa: treinamento olfatório, esteroides sistêmicos, terapias tópicas, medicamentos orais não esteroides e acupuntura. O que se concluiu foi que o treinamento do olfato deve ser a principal recomendação.

Sabe-se que cerca de 60% das pessoas que contraem Covid-19  passam pela situação de distúrbio de olfato, enquanto aproximadamente 10% dessas têm sintomas que persistem por semanas ou até meses. Felizmente, tudo indica que a maioria das pessoas melhora, e o treinamento do olfato pode ter muito a ver com isso. 

No início de 2021, uma experiência realizada com 1.363 pacientes com coronavírus que desenvolveram disfunção olfatória revelou que 95% deles recuperaram o olfato após seis meses. Essas pessoas foram aconselhadas a passarem por duas sessões de treinamento olfativo por dia, em casa, embora não se pudessem precisar quantas pessoas realmente faziam isso.

Com base nessas e em outras evidências atuais, os autores da pesquisa se juntam a diversos outros especialistas para pedir cautela. Até que estudos randomizados controlados por placebo possam ser realizados, devemos sempre evitar o uso de remédios, especialmente os esteroides, e priorizar o treinamento do olfato.

Fonte: Science Alert