No próximo domingo (9) é comemorado o Dia das Mães, a data é uma forma de prestar uma homenagem e celebrar o amor entre mães e filhos. Entretanto, o dia pode ser devastador para mulheres que tiveram o sonho de ser mãe interrompido devido o conhecido e comum aborto espontâneo. Com isso, muitas acabam se culpando pela perda do bebê, porém, segundo a médica materno-fetal Rochanda Michell, isso está além do controle humano.

A perda de uma gravidez sempre é desgastante física e psicologicamente. Sentimentos de tristeza, raiva, isolamento e culpa são frequentes em quem passa por isso, resultando até em depressão. O apoio da família, neste momento, é crucial, assim como o diálogo sobre o tema, desmistificando e quebrando esse tabu.

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Mulheres não culpa de abortos espontâneos. Imagem: Shutterstock
Mulheres não culpa de abortos espontâneos. Imagem: Shutterstock

A mulher não tem culpa

Segundo a Dra. Rochanda, cerca de 15% a 25% de todas as gestações clinicamente reconhecidas resultam na perda do feto. Alguns abortos espontâneos ocorrem antes que a mulher perceba, o que explica a grande variação na incidência.

Dentro dessas perdas, 80% ocorrem no primeiro trimestre e geralmente são causadas por cromossomos ausentes ou extras, o que é chamado de aneuploidia – erros na divisão cromossômica. Com isso, a divisão errada transforma aquele cromossomo em um “cromossomo anormal”, que são incompatíveis com a vida e resultam no aborto espontâneo.

Esses erros genéticos não fazem parte de uma característica genética, ou seja, não vêm dos pais, eles são considerados esporádicos sendo causados pelo acaso.

A trissomia 16 é a anormalidade cromossômica mais comum encontrada na perda do primeiro trimestre. A trissomia é quando ocorre um cromossomo extra e, no caso da trissomia 16, ela indica que há três cópias do cromossomo 16, em vez das duas cópias normais do cromossomo. O excesso do cromossomo também resulta na perda do feto.

Além disso, cerca de 5% das mulheres sofrerão até duas perdas gestacionais consecutivas e 1% três ou mais perdas gestacionais consecutivas. No caso da perda de gravidez recorrente, as mulheres devem discutir o assunto com seu obstetra ou ginecologista e agendar uma avaliação clínica.

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Sobre a perda de gravidez

A causa da perda da gravidez está além do controle da mulher. Ela pode estar relacionada à genética, anormalidades no útero, autoimunidade, infecções e distúrbios metabólicos, além, claro, do estilo de vida, como o uso de drogas ou fumar, que podem aumentar o risco.

Abortos espontâneos causados ​​por anomalias uterinas acontecem com mais frequência no segundo trimestre. O chamado útero septado é dos mais comuns. Ele ocorre quando uma membrana fibrosa ou muscular, ou septo, se desenvolve dentro do útero e o divide. 

Interessante que isso normalmente se desenvolve quando a própria mulher era um feto em desenvolvimento no útero da mãe. Sem o diagnóstico de um médico, ela não teria como saber que tem a condição.

No caso do útero septado, ele pode ser corrigido cirurgicamente e melhorar os resultados de uma gravidez, mas não há opções corretivas cirúrgicas conhecidas para outros tipos de anormalidades.

A síndrome antifosfolipídeo – um distúrbio de coagulação – também está associado à perda da gravidez. A condição faz com que a placenta se desenvolva de maneira anormal. Cerca de 5% a 20% das pacientes com perda recorrente da gravidez serão positivas para anticorpos antifosfolipídeos.

Vale lembrar que, para uma gravidez saudável, é importante também controlar doenças crônicas como diabetes, além de evitar o uso de tabaco, álcool e outras drogas. O não uso dessas e outras substâncias têm sido associada a uma diminuição do risco de aborto espontâneo.

O diálogo pode ajudar

O luto pela perda de uma gravidez, seja ela espontânea ou não, traz um fardo psicológico intenso. Se sentir culpada pode aumentar a dor e piorar a experiência.

Ter um diálogo aberto sobre o caso pode revelar o quão comum é o aborto e ajudar a mulher entender cientificamente por que a culpa não é dela. A consciência e sensibilidade da família, amigos e comunidade de apoio também é importante para superar a fase.

Fonte: Medical Xpress

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