De 1960 para cá, a humanidade já modificou uma área da superfície terrestre equivalente aos continentes europeu e africano juntos. Cerca de 43 milhões de quilômetros quadrados, 17% da área de terra total do planeta, sofreram transições, seja de florestas para terras agrícolas ou savanas para pastagens.

Os números foram publicados em artigo na revista científica Nature Communications por pesquisadores da Universidade de Wageningen, na Holanda. A mudança total do solo é quatro vezes maior do que estimativas anteriores calculavam.

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“Uma vez que o uso do solo desempenha um papel central para a mitigação de alterações no clima, biodiversidade e produção de alimentos, entender sua dinâmica total é essencial para estratégias de uso sustentável da terra”, disse Karina Winkler, geofísica da universidade e principal autora do estudo, em entrevista à AFP.

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Essas alterações de terrenos podem determinar o fracasso ou o sucesso do Acordo de Paris, tratado que rege medidas de redução de emissão de gases estufa para conter o aquecimento global. Isso porque plantas e solo, especialmente de florestas tropicais, absorvem cerca de 30% das emissões de carbono produzidas pelo homem.

Florestas no Hemisfério Sul foram as principais vítimas. Imagem: Tom Fisk/Pexels

Só que, desde 1960, de acordo com o estudo, a cobertura florestal da Terra encolheu em quase um milhão de quilômetros quadrados. Ao mesmo tempo, áreas cobertas por plantações e pastos aumentaram na mesma extensão. Há ainda outro problema: o número global esconde diferenças regionais.

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Enquanto áreas de florestas cresceram no Hemisfério Norte, como na Europa, Leste Asiático, América do Norte e Rússia, nos últimos 60 anos, países em desenvolvimento perderam quantidades assustadoramente altas de vegetação nativa. O mesmo acontece com áreas agrícolas: diminuíram no norte e se expandiram no sul.

“Ocorreu desmatamento tropical para a produção de carne bovina, cana-de-açúcar e soja na Amazônia brasileira, dendê no sudeste da Ásia e cacau na Nigéria e Camarões”, explicou Winkler. O aumento do preço do petróleo, com o barril chegando a custar US$ 145 em 2008 (equivalente a R$ 250 na época e R$ 770 atualmente), também fez com que florestas se tornassem plantações voltadas à bioenergia.

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O estudo comandado por Karina Winkler se baseou em estatísticas de longo prazo do uso da terra compiladas pela Organização para Agricultura e Alimentação (FAO), identificando áreas urbanas, plantações, florestas, pastagens e regiões com pouca ou nenhuma vegetação, como desertos. Também foram usadas imagens de alta resolução feitas por satélites.

A pesquisadora observou também que algumas partes mudaram mais de uma vez. Se todas as transições forem levadas em consideração, a área total afetada na superfície da Terra afetada foi de 32%. O planeta tem 510 milhões de quilômetros quadrados e cerca de 70% (361 milhões de quilômetros quadrados) é água, principalmente oceanos.

Assim, restam 149 milhões de quilômetros quadrados. Desses, cerca de 15 milhões de quilômetros quadrados estão permanentemente cobertos por gelo, sobrando 134 milhões de quilômetros quadrados de solo.

Via: AFP / Science Alert

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