Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Ritsumeikan, no Japão, conseguiu encontrar água em estado líquido dentro de um meteorito primitivo. A descoberta abre um novo espaço para compreensão do antigo sistema solar e sobre a evolução do nosso universo próximo

A água é uma substância relativamente comum dentro do sistema solar e está presente em locais como os anéis de gelo de Saturno, o subterrâneo de Enceladus, uma de suas luas, além da água líquida e do gelo detectados em Marte. Contudo, essa nova pesquisa especula que a água seja preservada em um tipo específico de meteorito, os condritos carbonáceos. 

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Até o momento, os pesquisadores ainda não haviam encontrado água líquida em rochas deste tipo. Porém, neste novo estudo, os pesquisadores detectaram pequenos bolsões de água em estado líquido dentro de um meteorito que data do início do sistema solar.

Segundo o Space.com, esse novo trabalho auxilia na expansão do conhecimento sobre como os planetas evoluíram em nosso sistema solar, uma vez que esse tipo de água dentro dessa rocha pode ter ajudado, inclusive, no surgimento da água aqui na Terra. 

Importância do estudo

A descoberta de água nesta rocha espacial “dá a evidência direta da evolução dinâmica do sistema solar”, declarou o professor visitante da Universidade Ritsumeikan, Akira Tsuchiyama. Ele e seus colegas examinaram de perto os fragmentos do meteorito Sutter’s Mill, que se formou há pelo menos 4,6 bilhões de anos e caiu na Terra em 2012 nos Estados Unidos.

Água foi encontrada em quantidade microscópica nos meteoritos. Crédito: Nasa / Eric James

Alguns pedaços da rocha foram recuperados próximo ao município de Sacramento, capital do estado da Califórnia. Com as partículas do meteorito em mãos, eles contaram com auxílio de um microscópio, onde notaram inclusões de água em cristais minúsculos de calcita, uma forma de carbonato de cálcio, que continha pelo menos 15% de dióxido de carbono. 

Isso permitiu aos pesquisadores concluírem que tanto a água líquida quanto o dióxido de carbono podem realmente existir em rochas espaciais antigas. “Esta conquista mostra que nossa equipe conseguiu detectar uma quantidade minúscula de fluido presa em um mineral há 4,6 bilhões de anos”, disse Tsuchiyama em um comunicado

Surgimento da nossa água

Oceano e céu azul
Nossa água pode ter surgido por conta de condritos carbonáceos. Crédito: Oceano/Satit Sewtiw/Shutterstock

A aposta dos pesquisadores é que o asteroide que se dividiu e gerou esse meteorito deve ter se formado com água congelada e dióxido de carbono, o que pode significar que ele se formou em uma área fria do sistema solar. A principal teoria é de que esse local é a órbita de Júpiter. 

Essa hipótese se alinha com algumas teorias anteriormente defendidas de que asteroides ricos em moléculas como a água se formam em regiões distantes do sistema solar e só mais tarde viajam para mais perto do Sol. Os cientistas também acreditam que a descoberta pode ajudar na busca pela origem da água da Terra.

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Existem várias hipóteses sobre onde e como nosso planeta conseguiu sua água. A principal delas é justamente de que a água caiu aqui presa em objetos como meteoritos, com destaque para os condritos carbonáceos. As moléculas de água foram incorporadas às estruturas cristalinas dos minerais nessas rochas espaciais, defende Tsuchiyama. 

“A quantidade de água líquida encontrada no presente estudo é muito pequena”, disse Tsuchiyama. “O estudo dá evidências da presença dessa água líquida”. “Em outras palavras, se a água nesses minerais contribuiu para a água da Terra, então ela pode ser considerada o ‘pai’ da água da Terra, e os meteoritos que hospedam esses minerais, portanto, o material ‘avô’ da água da Terra. 

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