O Graphene Manufacturing Group (GMG) desenvolveu um novo tipo de bateria, feita em íon-alumínio, que promete carregar até 60 vezes mais rápido que o padrão atual (íon-lítio). Mais além, o modelo também facilita a reciclagem, sendo menos danoso ao meio ambiente por conter materiais mais sustentáveis.

O desenvolvimento da bateria de íon-alumínio foi conduzido pela Universidade de Queensland, na Austrália, com o GMG planejando levá-la ao mercado no segundo semestre de 2021. Basicamente, o modelo empresga o uso da nanotecnologia para inserir átomos de alumínio dentro de microperfurações em placas de grafeno.

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Imagem mostra desenho da composição da bateria de íon-alumínio, criada pelo GMG junto da Universidade de Queensland
Detalhamento de nova bateria feita com grafeno e alumínio, desenvolvida pela Universidade de Queensland, na Austrália. Novo modelo carrega até 60 vezes mais rápido que o atual. Imagem: GMG/Divulgação

O resultado é um composto que não apenas carrega mais rápido e é mais amigável à natureza, mas também consegue armazenar o triplo de carga de uma bateria comum. Outro benefício é a ausência de um limite superior (“teto”) de amperagem que evita o superaquecimento espontâneo. Em outras palavras: dificilmente essa bateria pode explodir “do nada”.

Segundo testes executados pela publicação independente Advanced Functional Materials, as células tiveram “desempenho de alto padrão espetacular (149 mAh g−1 at 5 A g−1), superando todos os outros materiais anteriormente reportados para baterias de íon-alumínio”.

Evidentemente, essa não é a única bateria com base em grafeno de que se tem notícia, mas o diretor do GMG, Craig Nicol, afirma que a criação de seu grupo é a mais confiável: “Sua recarga é tão rápida que praticamente faz dela um supercapacitor. Ela carrega uma célula de uma bobina em menos de 10 segundos”. Ele ainda complementa, dizendo que “até agora, não houve nenhum problema de temperatura. [Cerca de] 20% de um pacote de baterias de íon-lítio (em um carro) é relacionado ao resfriamento delas. Há uma boa chance de que resfriamento ou aquecimento não sejam necessários [com o novo modelo”.

O GMG ainda ressalta uma outra vantagem: a adoção das baterias de íon-alumínio não exigiria nem mesmo uma adaptação no mercado atual, já que seu design facilita o armazenamento em cases atualmente usados nos modelos de íon-lítio. Segundo o grupo, seu modelo foi criado no mesmo formato e voltagem do padrão atual, além de ser mais maleável caso esse formato necessite de alterações no futuro.

Finalmente, os custos de produção também poderiam ser amplamente reduzidos: de acordo com o GMG, as baterias de íon-lítio atuais requerem um investimento considerável em logística, já que “90%” delas vêm da China e “10%”, do Chile. No caso do modelo de íon-alumínio, as baterias poderiam ser feitas na própria Austrália, dentro do mercado doméstico, com um material abundante (alumínio), reciclável e que não requer importação de materiais.

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