Após mais de duas décadas, finalmente teremos outra oportunidade de ver Ganimedes, a maior lua de Júpiter e também do Sistema Solar, bem “de pertinho”. A espaçonave Juno, operada pela Agência Espacial Norte-Americana (Nasa), fará uma passagem a apenas 1.038 km da superfície do satélite nesta segunda-feira (7). É o mais perto que chegamos desde a missão Galileo, em 2000.

Além de fotos, a aproximação da espaçonave renderá também informações sobre a composição de Ganimedes, de sua ionosfera e magnetosfera e da camada de gelo que cobre sua superfície. Medições da radiação espacial na região também serão úteis no planejamento de futuras missões ao sistema joviano. 

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“A Juno carrega um conjunto de instrumentos sensíveis capazes de ver Ganimedes de maneiras nunca antes possíveis”, disse o investigador principal da missão, Scott Bolton, do Southwest Research Institute em San Antonio, no Texas.

“Ao voar tão perto, traremos a exploração de Ganimedes para o século 21, complementando futuras missões com nossos sensores exclusivos e ajudando a preparar a próxima geração de missões para o sistema Joviano, como a Europa Clipper da Nasa e a JUICE (JUpiter ICy moons Explorer), da Agência Espacial Europeia (ESA)”.

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Os instrumentos científicos de Juno começarão a coletar dados cerca de três horas antes passagem mais próxima. Equipamentos como o Espectrógrafo Ultravioleta (UVS, Ultraviolet Spectrograph), Mapeador Infravermelho de Auroras Jovianas (JIRAM, Jovian Infrared Auroral Mapper) e o Radiômetro de Microondas (MWR, Microwave Radiometer) examinarão a crosta de gelo de Ganimedes, obtendo dados sobre sua composição e temperatura.

“A casca de gelo de Ganimedes tem algumas regiões claras e escuras, sugerindo que algumas áreas podem ser gelo puro, enquanto outras áreas contêm gelo sujo”, disse Bolton.

“O MWR fornecerá a primeira investigação aprofundada de como a composição e estrutura do gelo variam com a profundidade, levando a uma melhor compreensão de como a camada de gelo se forma e os processos contínuos que ressurgem no gelo ao longo do tempo”, completou

Os resultados irão complementar os da futura missão JUICE da ESA, que observará o gelo usando radar em diferentes comprimentos de onda quando se tornar a primeira espaçonave a orbitar uma lua diferente da nossa em 2032.

Ganimedes, a maior lua do Sistema Solar, em imagem feita pela espaçonave Galileo em 1996. Imagem: Nasa
Ganimedes, a maior lua do Sistema Solar, em imagem feita pela espaçonave Galileo em 1996. Imagem: Nasa

Outros instrumentos a bordo da Juno, como sua Unidade de Referência Estelar (SRU, Stellar Reference Unit), serão usados para capturar um conjunto especial de imagens para determinar a radiação no ambiente ao redor de Ganimedes.

“As assinaturas da penetração de partículas de alta energia no ambiente de radiação extrema de Júpiter aparecem como pontos, rabiscos e listras nas imagens – como estática em uma tela de televisão. Extraímos as assinaturas desse ruído induzido por radiação nas imagens da SRU para obter instantâneos de diagnóstico do níveis de radiação encontrados pela Juno”, disse Heidi Becker, chefe de monitoramento de radiação da Juno no JPL.

Outras câmera, a JunoCam, irá coletar imagens em uma resolução equivalente às melhores da Voyager e Galileo. A equipe de ciência da Juno examinará as imagens, comparando-as com as de missões anteriores, procurando por mudanças nas características da superfície que podem ter ocorrido ao longo de mais de quatro décadas. Quaisquer mudanças na distribuição das crateras na superfície podem ajudar os astrônomos a entender melhor a população atual de objetos que impactam as luas no sistema solar exterior.

A velocidade com que Juno viaja, cerca de 19 km por segundo, é um desafio para a sua equipe. Ganimedes passará de um pontinho de luz a um disco visível e novamente um pontinho de luz em um intervalo de apenas 25 minutos. “Cada segundo conta”, disse o gerente da missão Juno, Matt Johnson, do JPL.

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