Esposa de Júpiter na mitologia romana, Juno é também a sonda que explora o planeta com o nome de seu maridos. O equipamento da Nasa sofreu problemas técnicos que adiaram a conclusão de sua missão principal, mas acabou ganhando ainda mais utilidade. Nos últimos anos, a sonda trouxe detalhes do que está por baixo das imensas nuvens do gigante gasoso.

Júpiter é, em essência, composto principalmente de hidrogênio. Juno mostrou que, em baixo das nuvens, há raios mais altos do que se pensava possíveis e descobriu anéis de tempestades estáveis nos polos norte e sul do planeta, além de ventos tão profundos em seu interior que são capazes de empurrar os campos magnéticos do planeta.

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A sonda também identificou que há oito tempestades acontecendo no polo norte e cinco no polo sul. Em determinado momento, Juno viu uma sexta tempestade chegando na parte do hemisfério austral. Logo, foi empurrada para longe pelas outras.

Esse número constante de tempestades que duram vários anos e têm cerca de 4 mil quilômetros de diâmetro conseguem “conviver” facilmente em uma região polar, sem perturbar as outras. “Mas se você tivesse 100, isso seria muito próximo e eles não seriam estáveis, explicou Yohai Kaspi, professor de ciências terrestres e planetárias do Instituto Weizmann de Ciência em Israel.

A sonda também permitiu análises que mostraram que os padrões atmosféricos da metade superior de Júpiter são diferentes dos da outra parte. Com auxílio de Juno, os cientistas vão se aprofundar mais, nos próximos anos, nas oito maiores tempestades no topo do planeta, pois a gravidade do planeta está levando a sonda para latitudes mais altas a norte. Assim, ela vai observar os relâmpagos no alto da atmosfera.

Mas, o que são as listras coloridas e ondulantes de Júpiter? Este padrão é formado por nada mais do que o topo das nuvens mais altas, feitas de cristais de amônia congelados e revestidos de fuligem. Mais abaixo, a 50 e 65 quilômetros, estão as nuvens de água. Dentro delas, acredita-se que ocorrem relâmpagos mesma forma que nas tempestades na Terra.

Outro segredo revelado por Juno foram clarões nunca antes detectados, um pouco mais altos na atmosfera. Lá, a 87ºC negativos, a água não fica líquida. Ou melhor, não deveria. Mas, com amônia na atmosfera, o congelamento não ocorre.

“Júpiter tem tempestades incrivelmente violentas que podem lançar partículas de gelo de água de baixo para cima a 160, 320 quilômetros por hora e chegar a altitudes muito elevadas”, contou Heidi N. Becker, cientista do Jet Propulsion Laboratory, da Nasa.

As tempestades do polo norte de Júpiter
As tempestades do polo norte de Júpiter. Imagem: Nasa

Só que, mais para baixo, a amônia se torna cada vez mais escassa. “Temos regiões até 200 quilômetros abaixo ou talvez mais, que contêm muito menos amônia do que outras regiões”, disse Tristan Guillot, diretor de pesquisa do Observatório Côte d’Azur na França. Isso é, aparentemente, causado por chuvas torrenciais de conglomerados viscosos e pegajosos do tamanho de bolas de beisebol. De tão pesadas, a mistura de água e amônia não permanece suspensa no ar. Assim, a amônia é transportada para as profundezas de Júpiter.

A missão de Juno ainda levou os cientistas a uma maior compreensão da Grande Mancha Vermelha. A tempestade gigante, que resiste há séculos e tem mais de 320 quilômetros, levou à descoberta da região chamada de Grande Local Azul. Que não é azul, mas ficou desta cor no mapeamento magnético.

As fotos, a bem da verdade, não revelam indícios visíveis da Grande Mancha Azul. Elas indicam, na região azul escura no mapa magnético, uma confluência de linhas de campo magnético invisíveis entrando em Júpiter naquele ponto. É como se fosse um segundo polo sul saindo perto do equador.

Aparentemente, essa mancha azul é soprada para oeste por um jato de ventos. Os ventos do leste cortam as seções superior e inferior do local na direção oposta, sugerindo que os ventos do planeta seguem muito abaixo do topo das nuvens, em regiões de pressões e temperaturas tão altas que o hidrogênio pode ser transformado em um condutor elétrico.

Juno entrou em órbita ao redor de Júpiter no dia 4 de julho de 2016, há quase cinco anos. A sonda sobreviveu ao intenso bombardeio de radiação e está perto de terminar sua missão principal. Agora, a Nasa concedeu mais quatro anos de investigações e mais 42 órbitas em torno do maior planeta do Sistema Solar.

As órbitas extras vão permitir uma exploração mais aprofundada dos mistérios que Juno já revelou. A sonda/esposa de Júpiter também vai dar uma passadinha por Io, uma das luas do planeta, que leva o nome de uma das paixões do deus romano, e corpo celeste mais vulcanicamente ativo do Sistema Solar. Ela já passou pela lua Ganimedes, nomeada após o belo jovem sequestrado por Zeus (Júpiter na mitologia grega). Europa, lua com nome de outra pessoa sequestrada pelo Deus, também vai ser visitada.

Via: The New York Times

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