Os carros elétricos têm se tornado os queridinhos de parte dos consumidores e, principalmente, dos governos ao redor do mundo, principalmente na Europa. Isso acontece por uma razão bastante simples, eles causam uma queda significativa na poluição do ar. Porém, suas baterias usam metais raros, como lítio, cobalto, níquel e manganês, o que está levando a uma “corrida do ouro moderna” em alguns países pobres do mundo, como Bolívia e República Democrática do Congo.

Contudo, as novas biotecnologias podem trazer uma maneira muito mais eficiente de obter esses materiais, através da reciclagem de baterias velhas. Esse expediente já é utilizado em alguns casos, mas envolve derreter as baterias e, posteriormente, extrair os metais raros, em um processo que é extremamente caro e que consome bastante energia.

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Em um artigo recente publicado no The Conversation, o pesquisador e professor da Universidade Coventry, no Reino Unido, Sebastian Farnaud, defende que algumas bactérias poderiam nos fornecer um método muito mais eficaz e ecológico para extrair metais raros de dentro de baterias usadas de carros elétricos. De acordo com o acadêmico, o processo permitiria a reciclagem de um número maior de baterias, com um consumo menor de energia.

Nenhuma novidade

A técnica foi chamada de biolixiviação ou biominação, e consiste no uso de microrganismos capazes de oxidar metais como parte de seu metabolismo. Ela não é exatamente uma novidade e já foi usada na indústria para extração de metais de minérios. A técnica também tem sido utilizada para recuperar materiais valiosos de placas de circuito, painéis solares e até mesmo de lixo nuclear.

Funcionamento do processo de biolixiviação. Ilustração: Cietec.org

A biolixiviação requer que as bactérias utilizadas no processo cresçam dentro de incubadoras a 36,6°C. Sua baixíssima pegada de carbono faz com que ela seja uma alternativa muito mais ecológica em comparação com os métodos de reciclagem de materiais usados atualmente.

“Em vez de ficar em segundo plano, a reciclagem pode se tornar o início e o fim do ciclo de vida de uma bateria EV com biolixiviação”, argumenta Farnaud ao Futurism, “produzindo matérias-primas de alta qualidade para novas baterias com baixo custo ambiental”, completa o professor.

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