No último fim de semana, a China ultrapassou a marca de um bilhão de doses aplicadas de suas vacinas contra a Covid-19.  A maior parte delas foi desenvolvida pelas empresas locais Sinovac e Sinopharm.

OMS tem "confiança muito baixa" em dados sobre efeitos colaterais da vacina chinesa da Sinopharm
Sinopharm recebeu aprovação da Organização Mundial de Saúde para uso emergencial em maio. Imagem: Steve Heap – Shutterstock

Outras centenas de milhões de doses desses imunizantes foram enviadas para mais de 80 países em todo o mundo.

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No mês passado, a Sinopharm recebeu aprovação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para uso emergencial. Neste mês, foi a vez da Sinovac.

Vacinas dos laboratórios Sinopharm e Sinovac não registram reações significativas

Ambas são vacinas de vírus inativado. Ou seja, são feitas de partículas virais produzidas em um laboratório, que são então inativadas para que não possam ser capazes de infectar o organismo. Muitas outras vacinas amplamente conhecidas usam tecnologia semelhante, incluindo as da poliomielite, da hepatite A e da gripe.

As fórmulas são misturadas a um adjuvante, que é uma substância adicionada às vacinas para estimular uma resposta imunológica mais forte.

Tanto uma quanto a outra contém uma série de proteínas às quais o sistema imunológico pode responder, estimulando a produção de anticorpos para combater a Covid-19.

Nenhuma das duas vacinas têm grande incidência de efeitos colaterais. Houve um número muito baixo de eventos adversos identificados em geral, o que sugere uma subnotificação substancial de casos.

Depois que as vacinas são aprovadas e usadas em grandes populações, elas são continuamente monitoradas para efeitos colaterais muito raros. Nenhuma preocupação significativa de segurança foi identificada durante o lançamento do imunizante da Sinovac na China nem no Brasil. O mesmo se observou na Indonésia e no Chile.

Vacina da Sinovac não tem registros de reações adversas significativas. Imagem: Vladimka production – Shutterstock

Por exemplo, na China, houve apenas 49 casos de reações adversas graves relatados, após mais de 35,8 milhões de doses de Sinovac administradas no país.

Em relação à vacina da Sinopharm, apenas 79 pessoas relataram terem tido reações, todas leves, após 1,1 milhão de doses aplicadas na China, taxas muito mais baixas do que as taxas usuais de relatórios de eventos adversos de outros fabricantes após a imunização.

Eficácia das vacinas chinesas

A eficácia geral do imunizante da Sinovac na prevenção da infecção sintomática foi de 51% no Brasil, 67% no Chile, 65% na Indonésia e 84% na Turquia. As diferenças nos resultados podem ser explicadas, por exemplo, pelas diferentes variantes que circulavam em cada país na época, bem como pelas diferenças nas populações incluídas nos estudos.

Já em relação à Sinopharm, a eficácia foi de 78% nos Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Egito e Jordânia combinados.

Tal como acontece com todas as vacinas para as quais existem dados disponíveis, a eficácia contra os resultados mais graves é maior. A eficácia da fórmula da Sinovac contra casos que requerem hospitalização no Chile, Brasil e Turquia foi de 85%, 100% e 100% , respectivamente.

Para o imunizante da Sinopharm, a eficácia contra a hospitalização foi de 79%.

Atualmente, não há dados sobre a eficácia do imunizante da Sinopharm contra qualquer variante de preocupação, apesar de seu uso em mais de 50 países. 

Já em relação à vacina da Sinovac, a eficácia contra a infecção sintomática com as variantes Alfa e Gama no Chile foi de 67%.

No Brasil, com a circulação da variante Gama, um estudo pré-impresso sugeriu que a eficácia contra infecção sintomática foi de 42%.

Como acontece com qualquer vacina, também é necessário entender a eficácia dessas fórmulas em idosos, adolescentes, mulheres grávidas e grupos imunocomprometidos, e por quanto tempo a proteção dura.

Aumento de casos em países que receberam imunizantes da China preocupa

No entanto, é preocupante que tenha havido aumento nas infecções em alguns países onde essas vacinas têm sido amplamente utilizadas.

Por exemplo, as Seychelles vacinaram 68% de sua população com as duas doses da vacina da Sinopharm e o restante com o imunizante da AstraZeneca.

As Seychelles são um arquipélago de 115 ilhas no Oceano Índico, perto da costa leste da África. Lá, houve um registro recente de aumento no número de casos de Covid-19, o que sugere que o limite de imunidade de rebanho pode não ter sido atingido. O limite exato para isso é desconhecido, mas é influenciado por variantes em circulação, o número de pessoas vacinadas e a eficácia das vacinas.

De acordo com o Medical Xpress, estudos epidemiológicos detalhados são necessários para investigar a questão, mas notícias sugerem que 20% dos hospitalizados e 37% dos novos casos ativos estão totalmente vacinados.

Bahrein e Emirados Árabes Unidos também alcançaram alta cobertura vacinal, predominantemente com a vacina da Sinopharm. Eles também experimentaram surtos recentes de Covid-19 e estão oferecendo uma dose de reforço de Pfizer seis meses após duas doses do imunizante chinês, acreditando que ele possa não fornecer proteção suficiente. No entanto, não há dados disponíveis publicamente para determinar se esse cronograma de combinação é seguro e produz uma resposta imune protetora.

Há uma preocupação também com o aumento de casos na Indonésia. Quase todos os profissionais de saúde foram vacinados com a vacina da Sinovac, mas alguns estão desenvolvendo doenças graves.

O Chile também alcançou alta cobertura vacinal, principalmente com a fórmula da Sinovac. Cerca de 75% da população adulta recebeu uma dose e 58% duas. Apesar disso, um aumento atual de infecções e um número alto consistente de mortes levaram a um bloqueio geral em toda a capital, Santiago. A disseminação pode estar relacionada à variante Gama, que é mais transmissível e surgiu pela primeira vez no Brasil.

No entanto, em Serrana, uma pequena cidade no interior de São Paulo, com cerca de 45 mil habitantes, a cobertura vacinal muito alta com a vacina da Sinovac, aqui chamada de CoronaVac, de 95% dos adultos, supostamente diminuiu as infecções sintomáticas em 80% e as mortes em 95%.

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