Há uma espécie de comportamento em que os pacientes em estado grave melhoram pouco antes de morrer. Os termos mudam de acordo com os idiomas e segue sendo inexplicável para a ciência, podendo ser chamado: melhora da morte, o último adeus, a iluminação antes da morte (da era vitoriana no Reino Unido), a melhora do fim da vida, a visita da saúde, a melhora da despedida, o último uhul!, episódios de lucidez, a lucidez paradoxal, a lucidez terminal ou o último raio de Sol (de origem chinesa).

A dúvida é por que alguns pacientes de doenças crônicas ou recentes como a Covid-19 apresentam uma melhora súbita antes de morrer? E esse questionamento existe desde Hipócrates, médico grego considerado o pai da Medicina, que nasceu quatro séculos antes de Cristo.

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“Eles acreditavam que, durante e após a morte, a alma foi libertada das limitações materiais, recuperando todo o seu potencial. A mente humana seria mais do que um mero produto da fisiologia do cérebro, talvez envolvendo até mesmo um tipo de ‘sujeito transcendental’ ou ‘vida interior oculta'”, explicou à BBC News Brasil o biólogo alemão Michael Nahm, que estudou sobre relatos históricos do tipo feitos ao longo de centenas de anos.

Com isso, existem diversas hipóteses que tentam explicar o fenômeno, mas nenhuma delas foi comprovada até agora. Por exemplo, uma reação química do corpo que funcionaria como um instinto de sobrevivência, o acaso, a persistência da consciência durante a morte e o viés de confirmação, ou seja, pessoas morrem o tempo inteiro, mas acabamos lembrando de histórias surpreendentes de quem melhorou antes de morrer.

Pesquisadores e especialistas afirmam serem comuns oscilações de consciência em pacientes com demência nas fases iniciais e moderadas da doença. Além disso, os casos ligados a esse fenômeno tratam especificamente de episódios inesperados de lucidez em pessoas que haviam perdido a capacidade de se comunicar de forma compreensiva. Por isso, a maioria dos estudos e relatos sobre esse tema se concentram em pacientes com doenças neurodegenerativas.

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No ano de 2009, Michael Nahm e Bruce Greyson, pesquisador do departamento de psiquiatria e ciências neurocomportamentais da Universidade da Virgínia (EUA), levantaram 49 casos descritos na literatura médica.

A amostra não permite conclusões profundas sobre o tema, mas dá algumas pistas do fenômeno ou da tendência dos pesquisadores de relatarem mais casos com essas características. Dos 49 casos, 43% foram de melhora súbita 1 dia antes da morte, 41% de 2 a 7 dias e 10% de 8 a 30 dias.

Portanto, a maioria dos pacientes tinha demência, cuja forma mais comum é o mal de Alzheimer. Ao todo, essa síndrome tem um quadro de atrofia gradual do cérebro, perda de sinapses e neurônios e acúmulo de substâncias tóxicas associado a um declínio cognitivo que compromete diversas áreas, como memória, linguagem e raciocínio.

A prevalência da demência entre pacientes com melhora súbita às vésperas da morte aparece também em estudo produzido pelo filósofo e cientista cognitivo Alexander Batthyány, pesquisador de instituições da Hungria, Aústria, Rússia e Liechtenstein.

Porém, até o momento, não há estudos que apontem quantos casos de fato existem por ano dessa melhora antes da morte. Por mais que existam diversos relatos de casos publicados, nenhum que de fato quantifique ou investigue o que está acontecendo no cérebro durante esses episódios em, por exemplo, pacientes com demência.

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Fonte: UOL

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